Teus olhos não me contam que tipos de segredos escondes. Qual teu passado, quais coisas fazes em teu presente nas tardes em casa, nas noites que não sei onde passas. O sorriso que esbanjas toda vez que estamos juntos me conta da tua alegria no momento, mas não me fala de que pesares carregas em teu peito e das intenções que realmente tens por mim. Tua face acalentada pelo doce embalo do sono me diz que tenho um anjo diante de mim, mas será um anjo caído, ou um anjo enquanto apenas o que tens de mau em ti não desperta para um novo dia? És mesmo um anjo, és apenas tu, és quem? Se não puderes me dizer jamais o que teus olhos me escondem de forma direta e sincera, por favor, que te cales e aceites meus carinhos e apenas isso, que aceites os momentos e jamais me cobre algo que não me dás. Fecharei meus olhos junto a ti esperando que feches também os teus, não sendo teu principe encantado, nem teu futuro amor, mas apenas uma paixão. Que sejamos apaixonados enquanto juntos pois quando estás longe de mim te desconheço, não te pertenço e nem te espero.
Posts de Maio, 2005
Segredos
Maio 25, 2005111702729645631349
Maio 25, 2005Egocentrismo
Ainda não cheguei ao nível do que chamo de “Ego Elevado”, mas acho que um grande passo para evitar que isso se suceda é reconhecer quando estamos falando demais de nós mesmos.
Hoje ao conversar com Alexandre – um primo meu que só conheço pela internet mas que morou no mesmo bairro que eu por 16 anos, acredite se puder – veio aquela frase que pra mim já é quase jargão quando tenho de ser comparado a alguém ou algum conhecido dos tempos de juventude de meu pai me encontra “Gustavo, como tu tá parecido com o Carlito!”. Realmente, a semelhança é incrível, ainda mais nestas últimas semanas com um tanto a mais de cabelo e barba pela cara.
Meu pai costuma brincar que quando pensou em ter um filho decidiu terceirizar o trabalho e contratou o vizinho. Até hoje peço para meu pai que me apresente o tal vizinho, é que também quero contratar os serviços deste fabuloso profissional que consiguiu fazer, por que artes nem imagino, com que eu e meu pai ficassemos tão parecidos, e mais ainda, conseguiu criar um nariz idêntico ao do meu pai, uma verdadeira façanha visto o tamanho e particularidades do nariz que temos.

Do olhar
Maio 23, 2005Onde está aquele seu meigo olhar perdido
Nas coisas que viriam a ser e não formam?
Onde? Onde se encontram seus olhares agora?
Devem estar em outros olhos, não nos meus.
Devem estar em outras terras, não nas minhas.
Agora não há o porquê te buscar, perdi você.
Não foi culpa do tempo, de outros, do mal…
Foi culpa minha, apenas minha. Culpa minha.
A voz que falava do futuro e do presente
Ficou num passado, e o passado não volta.
Jamais voltarei a ter-te, Deus sabe disso.
Nunca mais teremos as palavras apaixonadas.
Não nos cabe mais acreditar num futuro juntos.
Cabe a nós apenas os pesares do que deixou de ser
Cabe apenas as alegrias que ficaram no passado.
E o passado com suas marcas vai me ferrir
Toda vez que minha memória mostrar-me teu olhar,
Teu olhar perdido nos sorrisos e alegrias que tivemos.
(isto não é poema, nem conto, nem texto. É só um desabafo que precisa de algum confidente.)
Necessidades/Semana
Maio 21, 2005Que fazer de uma semana que foi resultado de coisas muito desagradáveis? Brigas, Mistakes, perca de dinheiro, perca de amizades, desmérito injusto no trabalho, o corpo que não estava bem disposto para o dia a dia, as resposta que ainda não vieram. Que fazer?Vejo que tentar evitar essa semana e por todo o resultado dela num canto sujo e escuro será impossível, também 90% dos acontecidos não terão como ser reparados. Tento não ser um Lair Ribeiro dando mentalmente dicas de auto-ajuda para a consciência que passou por tudo de ruim como se a que contém esse autor de auto-ajuda também não estivesse sofrendo as consequencias dos problemas. O caso é um único, parar para analisar os acontecidos e fazer com que eles não sejam repetidos, mais uma vez lá vou eu fazer uma análise psicológica do hemisfério direito contra o esquerdo num conflito de que Gustavo fez as maiores besteiras e qual deles deverá ir para a berlinda.
Hoje vou tentar arrumar algo em casa. Meu computador está altamente problemático. Depois de algumas tentativas de fazer aquele bicho funcionar, heis minha alegria: do nada minha placa-mãe solta uma fumaça branca com o odor forte, aquele de queimado de aparelho eletronico que todos já sentiram. Eu desligo imediatamente o computador e penso com toda a tranquilidade que me foi permetida no momento, “me fudi” (desculpem pelo termo tão vulgar, mas num relato quase jornalistico que este é me sinto na obrigação de manter-me fiel aos fatos). Paro para olhar o orçamento do computador e vejo que realmente me dei muito mal, setecentos reais se foram embora, isso na melhor das hipóteses, se a coisa realmente for complicada mil e quatrocentos é o tamanho do rombo. Agora sim… a tranquilidade foi toda embora, entro quase que em desespero ao me tocar do tamanho do prejuízo, nenhum vizinho deve ter entendido as centenas de palavrões e batidas nas paredes, por sorte ainda consegui preservar meu corpo sem nenhum ematoma e meu cranio sem lesões graves.
E isso que só comentei o penúltimo grande problema da semana. Nem vou me alongar para falar do mérito injusto que levei por um problema que aconteceu no projeto em que trabalho e que afetou dois clientes importantes na GM do pacífico sul e quase custou a cabeça de algumas pessoas no projeto. Quando os sermões a respeito do trabalho e as insinuações de incopetencia vieram descendo pela hierarquia da empresa abaixo chegaram em mim tão fortes que no dia em que o problema foi revelado era difícil pensar. Fiquei com a imagem de “O Incompetente” de forma injusta e para toda a equipe além dos meus líderes em Florianópolis. Com o resto de paciência que me restava consegui comprovar que o erro não havia sido meu, mas sim do processo utilizado dentro do projeto, enviei email aos meus líderes. Sabe o que aconteceu? O documento com as provas do que aconteceu foram para uma pasta chamada “Lições aprendidas” e tudo ficou no conhecimento de duas ou três pessoas. Agora todo mundo brinca que a qualquer momento um trabalho meu pode parar a General Motors.
E como se isso não bastasse, hoje ainda levo um bolo no único momento do dia em que eu poderia aliviar as tensões. Depois de três dias com o encontro já combinado uma hora antes do horário acertado recebo aquela ligação com vozinha chorosa “poxa, hoje não vai dar. Tive um problema aqui, mas amanhã….”. Minha paciência disse explicitamente para mim, quase senti seu bafo quente no meu cangote “Hoje tás abusando demais de mim né? Vê se me dá um tempo seu ingrato!”.
Depois de uma semana tão agradável, de coisas tão boas acontecendo só me restou uma idéia em mente. Preciso escrever, preciso aliviar minha tensão, fazer uma análise psicológica no papel, ou melhor, teclado. Corro pra um cybercafé e aqui estou, tentando aliviar, contar, me livrar dessas coisas ruins que a todos nós acontecem em um momento ou outro como uma verdadeiro bombardeio com morteiro após morteiro querendo nos atingir a cabeça.
Para concluir, cheguei a uma única conclusão. Não me resta nada a não ser sair do modo “Gustavo relaxado” para entrar no “Gustavo altamente focado” mais uma vez, estava pretendendo fazer essa mudança em Julho, mas as circunstâncias me mostram que mudar agora é essencial. Tenho de reduzir drasticamente meu QI (Quociente de Incopetencia) para fazer as coisas andarem novamente e tirar essa maré de azar, que em certa parte é causada pelo meu alto QI nos últimos tempos, do meu caminho já já.
(Como estou no cybercafé fiquei sem tempo de reler e revisar o texto, vai isso aí mesmo)
Mistakes
Maio 19, 2005Lembro de que na minha infância muitas vezes cometi falhas, erros, burrices, grocerias, gafes, micos e afins daqueles pelos quais me arrependi durante muito tempo, e não foram poucas vezes. Até hoje algumas dessas memórias doem ao serem lembradas, são uma fatia do meu passado que procuro esquecer, ficam delas apenas as lições pois nestes casos não aprender a lição é estar arriscado a ter mais dessas lembranças sujas que nos envergonhamos e geralmente passam por toda nossa vida escondidas.Que eu me lembre, agora, existem duas grandes mancadas que eu dei no passado que foram muito dolorosas quando as cometi e que até hoje, agora mesmo, ainda é desagradável lembrar dos fatos. Certa vez, por exemplo, eu e um primo colocamos uma cobra coral morta que haviamos encontrado próximo a uma praia no vaso sanitário da casa de uma outra prima com o objetivo de dar um susto nela, contudo a vítima acabou sendo minha tia a qual tenho grande estima e respeito. Depois do susto, do desespero de encontrar uma cobra morta, venenosa, no vaso minha tia ficou muito mal, super assustada e logo veio o peso na consciência, todas as possibilidades, coisas que eram ridículas na brincadeira, só vieram a minha mente após a bomba ter explodido. Até hoje me envergonho muito do fato, mas assim como guardo muitas coisas sujas minha tia e sua família, como grandes amigos que me são, não revelaram nada a ninguém, nem mesmo a minha mãe. Depois do ocorrido ele jamais voltou a ser mencionado, neste caso, minha tia sabe exatamente da vergonha que ele me causa e achou melhor deixar a vergonha num canto bem escuro e sujo do passado.
Aquela não foi a última vez que cometi um grande erro que vai pra este tal canto escuro e sujo do passado. Outros aconteceram, outros virão, com certeza, assim como hoje me dei por um grande erro e fui arrebatado por uma grande vergonha dessas que nos fazem querer esconder a cara ao ver alguém. Agora é tarde para pedir desculpas, não estou em situação de faze-lo. Já não há como consertar a burrada, resta apenas a vergonha e a lição, o mais terrível em tudo que fiz foi saber que magoei pessoas que me tiveram grande estima. De certo modo fiz isso inocentemente, ao meu jeito, mas acabei magoando. Certamente hoje estão com ódio de mim, me praguejaram, prometeram não olhar mais em minha cara suja.
Que posso eu fazer? Agora é tarde, não me encontro em situação de pedir desculpa, não que isso seja desagradável demais para mim, mas o será para eles. Meu maior peso agora é ter fechado uma porta que antes me era aberta, ter perdido o respeito mui custosamente conquistado, é ter de jogar com a vergonha do erro os grandes dias de uma bela amizade que sempre será marcada pela minha falta cometida.
Eu? Tu! Nós…
Maio 19, 2005Deus fechou os olhos, se esqueceu de mim aqui, nesta ilha, perdido, triste, solitário. Sem deus, mulheres ou amigos, o que será de mim? Apenas eu mesmo! Não mereço tal destino, tal fatalidade. Não penso que um papo comigo mesmo seja algo valido ou valioso, será tudo confusão, briga, horror… não quero ter de encarar-me. Eu sei muito a respeito de minhas verdades para que possa encara-lás sentadas nesta pedra diante de mim numa imagem espelhada por minha própria consciência. Uma imagem suja de sangue, suor, excessos e odores, minha imagem de mim mesmo. Prefiro a dor da morte mais cruel a ter de me enfrentar, sempre fugi de mim mesmo, encarar-me é trabalho demias, dor demais, conflito demais. Ow! Deus cruel que me põe diante de mim mesmo! Será esse meu maior purgatório, a companhia de alguém que desconheço? Sou apenas dois, não vários como defendeu uma vez o poeta, mas dois, um aqui, louco para fugir de si mesmo, e outro, seguindo-me em busca de minhas palavras, do desespero em minha face, da culpa em meus olhos por aquilo que ele cometeu! Sei que a boca suja falará do passado, das coisas que foram cometidas, dos segredos e desejos que tento guardar e reprimir, e ele, ao contrário, busca escancarrar, viver, gozar, ser mal, ser bom conforme sua vontade, sem ética, sem medo, sem pudores.
Ouço sua voz me falando dos crimes, das várias mortes, das paixões femininas que entraram no profundo poço da depressão, das meninas virgens agora sem sua honra, dos amigos traídos, dos inimigos arrasados pelo poder e pela força do bastão, das corrupções na igreja, do pai louco, da mãe suicida. Ele geme aos meus ouvidos, canta cada uma das suas maldades, sua face sorri, gargalha diante de meu desespero, pede para que eu me aceite, que eu o aceite! Tenta me mostrar como somos um só, inseparáveis, não polo norte e polo sul, não yin-yang, mas uma massa única, farinha misturada ao trigo, carne e osso, dois distintos mas inseparáveis – um complementando o outro. Não como um médico nas frias tardes londrinas e um monstro a assassinar pelas noites. Não dois, mas um único ser em atitude, com uma consciência imposta, a que quer o bem, e outra livre, que quer apenas estravazar a si mesma a cada momento! Ouço sua voz pedindo para que eu me aceite, para que o aceite, para que nos aceite.
Oh, Meu Deus! Que tortuoso castigo fazes a mim, pôr-me só nesta ilha! Onde estão as jovens meninas para que eu corrompa, ou o poder para eu abusar?! Onde?!
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Maio 16, 2005Seus olhos ainda doiam, mantinha as mãos sobre a face fazendo com que os dedos precionassem a vista de forma suave amenizando assim a dor que ele sabia não conseguir suportar por mais muito tempo. Deu um suspiro, profundo e prolongado como se fosse o último ar que estivesse a suspirar antes de entrar num mundo desprovido de cor e luz, o som do ar que passava por sua laringe chamou a atenção de alguém que vinha caminhado ao longe. Um senhor em seus cinquenta e cinco anos de idade se aproximou sem pedir licença, fazer qualquer questão ou cumprimento sentou-se ao seu lado no banco. O homem que mantinha as mãos sobre os olhos não fez nenhum movimento ao sentir que alguém agora lhe acompanhava no banco, pensou apenas que desde que não fosse incomodado estaria tudo bem. Para ele ser incomodado era exatamente ser questionado. As perguntas costumavam lhe deixar triste, bravo, frustado. Por que diabos, perguntava-se, sempre vinham perguntar-me algo sobre mim mesmo? Não há lá adiante estrelas, mares, terras, homens, guerras e fábulas para que se possa discutir? Por que diabos estes infelizes não me deixam viver sem questionar-me ao meu respeito?
A vida do homem havia sido uma longa e dolorosa jornada, daquelas que não nos envergonhamos ou orgulhamos, mas queremos apenas esquecer. Havia lutado muito, fugido muito, bebido muito para que as histórias, lembranças, nomes, vozes fossem embora de sua mente, mas infelizmente a aminésia sempre prefere ser uma desgraça atingindo só os que da memória precisam, os pobres infelizes que tem passados a serem esquecidos com ela nunca são premiados. O mundo é bastante engraçado, enquanto um reza pela estiagem, chove na sua terra; ao outro que pede a chuva, lhe castiga a seca. Desta mesma maneira cruel o mundo agira com o homem que continuava com suas mãos aos olhos e recursara a conversa amistosa do senhor em seus cinquenta anos de idade que a esta altura já estava à casa indignado pela indiferença de um qualquer na praça. Seu mau foi ter pedido para parar de enxergar certas verdades que se dispunham à sua frente mesmo quando a ignorância era seu maior desejo, lhe castigava demais ver injustiça, carnificina, dor, ódio, medo, abuso onde poderia reinar a paz, era inconcebível que a luta pelo poder que corrompia a uns poucos homens pudesse desgraçar a tantas vidas. Pediu a ignorância mas o seu premio veio torto e lhe coube uma cegueira, lenta, nostalgica, com medo de ser demasiado agressiva para se instalar totalmente pois a mente não poderia suportar a surpresa, chegava ela devagar a evitar um manicomio um uma bala na cabeça. O pedido “quero parar de enxergar certas coisas” parece ter sido interpretado por um deus muito sarcástico, “Enxergar é? Pois bem.” e lá meteu-lhe uma cegueira que veio caminhando de forma tranquila, trágica para ele, a benção era a maldição, com a visão turva a sensibilidade se tornou mais aguçada, agora ele conhecia a psic humana como poucos, conseguia ver o encadeamento dos fatos políticos como raríssimos estrategistas tinham capacidade, sentia a essência de uma mente má, se alegrava com uma boa. Era o confidente das verdades.
