Posts de Julho, 2005

No Momento (Editado)

Julho 31, 2005

Bom, essa madrugada calhou de eu parar na frente do PC e refazer o texto. Esse novo final me pareceu bem melhor, não aquela coisa só da tristeza, mas um quê deste orgulho que carregamos conosco e nos faz calar quando queremos mesmo é gritar a tudo e todos.

Se pudesse não veria. Se pudesse não ouviria.
Também não responderia, eu não concordaria.
Se pudesse deixaria de querer ver, ouvir, ter,
Mas não posso, não consigo. Tento, não consigo.
Dói não ter, dói não ver, dói não ouvir.
Preferia te desconhecer, não mais te reconhecer;
Preferia te perder e nunca mais encontrar. Mas encontro.
A cada encontro vejo que me perco mais, te perco.
Contudo, agora tanto faz, o que foi não volta…
O que ouço, o que vejo, aquilo que de ti tenho,
Que é nada, com todo esse meu querer, que é tudo,
Só me fazem triste, triste como só eu sei ser.
Se pudesse não falaria, eu não escreveria;
Apenas esconderia que ainda te quero aqui, minha.

No momento

Julho 29, 2005
Essa imagem é um screenshot de uma conversa no msn. Demominei ela de No momento, os quadrados em preto são para me proteger de pessoas inconvenientes aos quais não é pertinente saber com quem eu falava. Para quem quiser ver a conversa ela está no meu flickr, abaixo segue o texto como foi escrito na mensagem, uma versão descente dele deve ser publicada aqui em breve.

se pudesse não veria, se pudesse não ouviria
também não responderia, não concordaria
se pudesse eu deixaria de querer ver, ouvir ter
mas não posso, mas não consigo, tento não consigo
doi não ter, doi não ver, doi não ouvir
preferia te desconhecer, passar a não te reconhecer
preferia te perder e nunca mais encontrar, mas encontro
e a cada encontro vejo que me perco mais, te perco
e agora tanto faz, o que foi não volta…
o que ouço, o que vejo, o que de ti tenho me deixam triste

Bom… vi algumas coisas que me abalaram um pouco e me saiu esse protótipo de poema que mais estava para um desabafo do que qualquer outra coisa. Essa minha mensagem foi simplesmente ignorada, mas não faz muita diferença, acho que escrevi mais pra me desabafar do que para que quem recebeu me desse algum tipo de resposta. Todas as perguntas já haviam sido feitas e as respectivas respostas dadas.

O texto tem sérios erros, e também não gostei do “triste” no último verso, ficou sem irônia, sem um bom final…

Arte

Julho 20, 2005

Título pelo Autor da foto: keep staring
dElay autora da foto.

A arte me toca, a arte me expõe. A arte em signos, cores, verbos, em formas, texturas, sons. O livro, a pintura, a música, a imagem, a representação. Arte que eterniza meus sentimentos.

Google Password Assistance

Julho 15, 2005

Privacidade na Internet. Bom tema. Minhas aulas no curso técnico de processamento de dados foram pouco interessantes pra minha vida como um todo, mas essenciais para a profissão que agora exerço, entretanto uma aula me fez ter uma visão diferente do mundo, ou melhor, em como tratar a informação acerca do mundo. Salve a segurança da informação!

Há gente que acha que na internet a informação é balela e usa ela, a internet, como se fosse seu confidente, ou em ambientes inadequados, como um celular. Há de se ter muito cuidado com o conteúdo referente a nós que na rede nos decidimos expor. Um recado nesse novo mundo chamado Orkut pode revelar muitas coisas sobre como anda a vida de uma pessoa, o que tem feito, o tipo de amigos que possui, que gostos tem, e uma série de possibilidades incríveis. O Google, outro grande amigo dos intrometidos de plantão, pode nos dar um histórico profissional, acadêmico, e muito ainda, sobre a vida pessoal, como é o caso de um blog que tenha alguém, que como eu, possui uma língua solta demais. Para um bom nerd basta saber onde buscar a informação, e esta nem sempre está na internet, pode ser um recado ouvido pelo amigo do amigo, um pedaço de papel no chão, um encontro do acaso que pode revelar uma companhia nova, um novo gosto, como diriam os manézinhos aqui de florianópolis, a possibilidade “vareia”, mas a informação, se descuidada em qualquer lugar, pode ser sempre usada com outros fins.

Foi engraçado, hoje ao entrar em um de meus emails vi uma notificação sobre uma solicitação de senha do outro email, o que uso atualmente. Mas, espere aí, ontem, apesar de eu ter trabalhado das oito da noite a uma hora da madrugada, não fiz nenhuma solicitação de senha, sei minha senha, mantenho ela segura. Só ficou uma possibilidade: estão tentando visitar meu email sem minha permissão! Não sei se fico lisonjeado, indignado, ou se troco, hoje mesmo, todas as senhas pessoais que possuo – algo que deve estar em torno de umas dez senha diferentes para uns oitenta sites. Acho que vou trocar minhas senhas, e apenas alimentar por alguns instantes a curiosidade de quem estará tentando descobrir “coisas” pessoais da minha vida. Mas pra que perder tempo tentando descobrir uma senha, oras, pergunte! Não devo nada a ninguém e se eu achar a informação pertinemte não farei caso em revelar um ou dois segredos, três ou quatro nomes, cinco ou seis emails de besteiras ou coisas afins.

Não sou santo, já fucei a vida de muita gente na internet! Sou muito curioso, sou um pouco intrometido, quero informação. Mas sou ético também, tento ser. Espero que amanhã não receba mais uma vez um “Google Password Assistence”, mas sim, um email amistoso perguntando algo acerca de mim, das coisas, coisas sobre coisas, coisas sobre alguém, sobre mim. Ah! Mantenham suas senhas em segredo, seus papéis nas gavetas, seus históricos da internet limpos, seus segredos entre amigos de verdade e o seu lixo, sempre, mas sempre, incinerado!

Estou lendo…

Julho 13, 2005

Hoje, estou lendo:

Saramago, José. O Evangelho Segundo Jesus Cristo (Pela segunda vez este ano)

Adams, Douglas. O Guia do Mochileiro da Galáxia (Estou no terceiro capítulo, até o final do mês termino)

Jabor, Arnaldo. Amor é Prosa, Sexo é Poesia (Lendo as crônicas quando me enjôo dos outros três livros)

Saramago, José. Cardenos de Lanzarote (Lendo muito lentamente, um pouco por semana)

estreLa (Editado)

Julho 8, 2005

Tenho comigo uma saudade louca de ti, que espero, ainda, seja saciada. Talvez em dez, vinte anos, quem sabe amanhã. Espero ver-te dinovo, meus olhos pedem, meu peito exige. Não sei se há vida para mim sem a esperança de te ter dinovo, vivo hoje por um amanhã em que te terei plenamente. Viverei cada instante, pelo que hoje minha mente pode conceber do futuro, em busca do teu olhar, da tua voz, da confiança em ti; sonharei com nossos dias de alegria nas tristes noites de sábado. O tempo há de ser gentil comigo, há de levar-te de minha memória em dias de mais luz em que vozes amigas me contarão histórias de suas vidas, há de passar rápido, muito rápido, nos nas noite em que, mesmo rodiado de boas companhias, a imagem, a lembraça, de ti se abater sobre mim, como que uma antiga ferida que novamente se vê exposta e tem o bico faminto e afiado do passado a lhe cutucar. Torço para que sejas feliz, muito. Feliz por nós dois, pois a mim cabe apenas a esperança, este cruel sentimento que nos faz acreditar no melhor, sempre tão longe, sempre tão perto de chegar. Seja feliz, muito, pois eu, eu apenas viverei. Viverei em busca da tua felicidade, da minha felicidade, desta felicidade que só tu podes irradiar como um sol que traz novamente a vida e me tirará destas trevas. Um sol, uma estrela. Minha estrela.

(Editado por motivos pessoais.)

Relato rápido

Julho 7, 2005

Ah! Existem coisas que parecem tão banais, tão simples, mas nos são tão queridas e fazem com que todo um dia de trabalho e sangue fervendo na veia possa valer a pena por aqueles meros, quinze minutos, uma hora, de um pequeno prazer. Parar para escrever e ouvir aquela que considero a música da minha vida, “Standing outside the fire”, enquanto tento escrever algo que não sei se terá leitores. Esse é um momento de paz interior, de justificação do dia que ainda não acabou, mas já tem seus últimos momentos bem previsíveis.

As vezes não precisamos de muitas coisas para sermos felizes, estarmos alegres. Um sorriso, um livro novo (tenho três chegando em quatro dias), uma boa conversa no almoço, a certeza de uma companhia, a incerteza do que farei amanhã. Os amigos! Ah! grandes momentos de prazer, estar com os eles, apenas por estar, ficar de papo pro ar e fingir que não há nada de importante que precise ser feito que possa nos tirar daquele momento de “conversa, riso, sorriso”.

Ah! Deuses meus, peço que nesta vida seja repleta de uma grande luta, mas que nela sempre haja o momento da pausa, aquele em que um dia de jornada vale por si só… hoje vivo uma pausa na jornada. Obrigado, Deuses que me guiam, me iluminam, que como eu tem defeitos, e que como eu, sabem, ao menos já souberam, dos prazeres da vida!

Texto Esporádico I

Julho 4, 2005

(Esporádico é o nome que dou para aquilo que convencionalmente se chama de Diário. Esporádico porque escrevo naquilo com uma frequência tal que denominar de diário, semanário, anuário, ou algo afim seria descabido. Aqui estão dois trechos tirados do Esporádico, com algumas correções e adendos.)

13/6/2005

Hoje é segunda-feira, agora deve ser algo em torno de nove horas da noite. Estou sentado à mesa da sala, toca Legião Urbana no CDPlayer, vou no embalo de Renato Russo em suas canções, e, também, levado pela correnteza, o fluxo contínuo, que é ler Saramago (sempre me sinto desconfortável ao deixar uma boa leitura de lado, principalmente quando é contra a vontade). Sinto uma tranqüilidade estranha quase que uma certeza, ou ainda, bem pode ser, um desligamento total daquelas questões fundamentais que vêm atormentando minha mente; este estado aplica-se também às questões simples, como ao final deste relato voltarei às páginas do Manual de Pintura e Caligrafia, que, quando acabar o CD da Legião,
começará a tocar Norah Jones (este é um dos tantos vestígios de Luiza que permanecem comigo, em mim) e daqui a meia hora irei deitar-me suspirando pela antiga paixão e pelas novas aventuras a frente (sejam essas sociais, passionais, ou profissionais). É estranha esta tranqüilidade em tempos tão corridos que venho vivendo, é como se não houvesse o mundo fora desta sala, como se tudo tivesse sido reduzido a lembranças e expectativas em minha mente. Sei que amanhã tenho trabalho, decisões importantes, encontros à frente, mas nada disso importa agora, neste exato momento, em que a solidão me põe tão a par de mim mesmo. Sinto que o destino já traçou os caminhos por onde seguirei, que todas as decisões que minha mente pode prever já estão tomadas; sinto que amanhã, sexta, dia vinte e cinco, Julho, tudo dará certo, quanto àquilo que não der, se não for possível refazer ou consertar, eu serei o mais niilista que puder e direi de peito inflado “foda-se”, estes momentos que venho vivendo não são para arrependimentos.

Amanhã estará tudo decidido: mudo de profissão, continuo em ti? viajo para São Paulo, fico em Florianópolis?Agora tudo está tão calmo, como se tudo estivesse certo. Neste momento não existe nada lá fora, o tempo não há, não há mais a angústia aqui. Som, letras, solidão e o espaço, nada além disso, é como se nem eu mesmo existisse sinto-me como um parágrafo que num livro qualquer foi eternizado, como uma nota de violão que se dissipa no ar ao que uma voz feminina canta “Gustavo está tão sozinho/Gustavo sempre foi sozinho”, sinto-me, enfim, no lugar certo, pois o tempo aqui não há e o espaço que ao meu redor havia deixou de existir – um parágrafo não precisa de quase espaço algum. Um parágrafo que fala de um tempo calmo, de mar sereno, de certezas, de paz… apenas tranqüilidade, sem espaço, sem tempo.

20/06/2005

A calmaria é apenas um prelúdio de que a grande tempestade, arrasadora, se aproxima. Na terça-feira, como eu havia imaginado, as coisas não se resolveram para mim, ao contrário, a dúvida se tornou maior, entretanto mostrou sua cara apenas na quarta-feira a noite.

Sozinho em casa nesta noite com minhas dúvidas, medos, certezas de fracasso, incertezas de sucesso, solidão, consciência de uma solidão que se levará por longos anos, tristeza pelo que foi perdido e pelo que não foi conquistado. Entrei em pânico. Houve um choro longo, um soluço incansável, um desejo louco de ser abatido pelo sono e de ser levado por ele ao nada por toda a eternidade. Tive vergonha de mim, do que eu fiz e não fiz, do que sou e do que posso me tornar. Arrependi-me de coisas do passado, temi coisas do passado que podem não se repetir e, também, de outras que se acontecerem me colocarão mais uma vez no fundo do poço. Quis sumir, esquecer-me de mim mesmo, virar pó novamente, ser uma fita de DNA – AGATA/ATACA/GATA/GATACA, e por adiante -, ser um corpo sem sentimentos terríveis, estar morto.

Não preciso dizer que a noite foi péssima, é afirmar o já explícito, é palavra vã no meio de imagens tão claras, contudo, digo: foi. O sono demorou a chegar e eu o esperava, balsâmico e tranqüilo eu aguardava que o fosse, entretanto veio carregando uma dúzia de pequenos pesadelos com ele. O tempo novamente parou, mas desta vez para enlouquecer-me com estes monstros que habitam em mim; desta vez o espaço não deixou de existir, ao invés disso, cresceu, deixou-me perdido num deserto – neste imenso deserto, ser infértil e, devido a isto, desprezado, que sou.

Uma noite terrível, que como todas as noites, terríveis ou não, foi expulsa pelo dia que nascia. Nada há como um novo dia, uma nova oportunidade de esquecer a noite e suas chagas, uma nova oportunidade de enfrentar a vida, de olhar adiante na esperança do porto seguro que no horizonte se avistará, talvez com uma tempestade arrasadora ao seu final ou apenas com a leve calmaria. “Navegar é preciso, viver não é preciso�.