Posts de Agosto, 2005

Psiu!Dônimo

Agosto 28, 2005

Bom… um primeiro passo nessa grande orgia literária, que graças aos deuses tenho oportunidade de acompanhar, foi adentrar neste mundo de blogs. Agora sinto novas necessidades e tenho de pôr a cara a bater por outros meios de divulgação. Alguns concursos, cartas insistentes a jornais, coisas afins, que levarão um bom tempo a acontecer e se darão gota a gota pois tenhos vidas a levar em paralelo com a literária.

Pois bem, heis que um grande dilema se apresenta. Que pseudônimo usar? “Gustavo Guilherme BacK”? Não, adoro meu nome, mas literariamente acho ele sem graça e exaustivo demais. “Gustavo BacK”, não, as variações não vão funcionar. Tenho algumas coisas em mente. As que mais me agradam são bem distintas entre si. A primeira é completamente nordica na origem e é FORTE, parece exprimir todo seu poder logo ao ser dita. Parece que esta primeira opção é mais cabível a meus ensaios, textos e afins, em que descorro sobre o Poder (um dos temas que mais me instigam). O segundo é completamente português, algo que mistura os ventos de Portugal com as longas lutas santas. Esse segundo pseudônimo, é suave, poético, ibérico, parece pronto para a poesia, para o conto, para temas mais leves.

E agora José? Quê fazer? Quê escolher? Não poderei continuar com meu nome do dia dia… quê usar? Alguém tem uma sugestão? Até outubro tenho de encontrar algo… vamos ver…

NatiMorta

Agosto 24, 2005

Para (A)lguém.

Não me deixo seduzir assim tão fácil. É preciso o jogo, o ocultar das intenções, a reserva do sentimento que surge. Não digo ao primeiro instante “te gosto”, “te adoro”, “te amo”, digo sempre depois, sempre quando tenho certeza, consciência, daquilo que digo. Repito, repito e repito o que sinto pois repetir, cuidando para a palavra não perder o sifgnificado, é uma forma que encontro de reforçar o que sinto, o que falo. Pareço sempre redundante, desconfiado, despreocupado, mas não é isso. Ocultar é preciso, pois também tenho a necessidade de ouvir de ti as palavras que digo ou ainda pretendo dizer.

Não me deixo seduzir assim tão fácil. Isso parece não ter te agradado. A falta das frases necessárias pra você, o ar de envolvimento não envolvido de minha parte, a minha insensibilidade diante de alguns desejos teus colocaram algumas barreiras entre nós. E quando você consegue o que pretendia, me envolver, vai saindo assim, do nada, da minha história. Parece querer fugir, evitar estes meus defeitos, ou correr para algo que seja melhor.

Penso em ti. Tento definir se a cor de teus olhos é o azul, o verde ou algo que fica entre as duas cores e se deixa levar pela opinião, pelo momento de quem te olha. A cada mulher que vejo reconheço teus traços, procuro na improbabilidade um encontro inesperado contigo. Sinto ciúmes, me preocupo, fico angustiado com esta ausência tua.

Não me deixo seduzir assim tão fácil. Mas você conseguiu minha paixão. E pra que? Pra me deixar sozinho, triste e saudoso. Pra me deixar aqui, com esta paixão natimorta.

Beatificação

Agosto 20, 2005

Já não bastavam as centenas de igrejas que são criadas todos os anos no Brasil, o número cada vez maior de ateus, a perca de poder político dos bispos, agora a Santíssima Igreja enfrenta uma nova concorrente. Esta não é coisa pequena, não veio pra perder a briga e sabe-se que pretende expandir em muito seu território já bem vasto.

Nossa cara desemtupidora de consciência política, cívica, crítica e social, a grandiosa Rede Globo, agora tem uma nova função que vêm a bater de frente com o poder Papal. A Globo, senhores, está agora beatificando, perdoando os pecados alheios cometidos contra nosso povo e pondo mártires nada confiáves sobre altares que se consagram em rede nacional no mais importante programa do meio de comunicação mais destrutivo de nossa nação.

Vejam bem, há algum tempo atrás se punham os santos no altar para que os fiéis orassem fervorosos pelo grande mártir. Havia esperança pelas graças, havia admiração pelas ações. Hoje, nesse nosso Brasil, põem Collor num altar. Falam de um passado sujo, mas tratam de pô-lo entre salas brancas e limpas, entre incenso e perfume, colocam coroa e cedro e dizem “coitado do mártir que foi levado pela situação absurda que é nossa pátria”. Coitadinho mesmo, vejam que rosto triste, que ar arrependido, que gestos lindos ele comente em suas palavras de culpa admitida, de vontade de reverter a “MERDA” feita.

Lá está Collor agora em sua sala. A sala de uma das sucursais da rede Globo. Quanto interesse não há por parte da grande senhora da mídia brasileira em por este santo novamente no poder político! Ah! Caros amigos, o jogo dos interesses, das redes de relacionamentos e favores faz coisas fantásticas nesse nosso país marcado por sociedades secretas e fabulosas máfias da corrupção. Parece-me, claramente, que tudo quanto ocorre nesse Brasil é movido por uns interesses escusos. Gostaria de saber exatamente qual o Canôn da nossa rede Globo, será que eu ficaria com nojo dos “santos globais”, ou apenas espantado por idolatrar tantos mártires criados de acordo com a necessidade do IBOPE?

Há de se admitir uma coisa, parece que a inteligência Global não poderia ter escolhido melhor hora para pôr tal santo no altar. Digam-me amigos, o que é um Collor arrependido diante de toda a culpa escancarada de um “Mensalão”?

(Obs: a tal entrevista aconteceu dia 14/08 no Fantástico. Aqui ainda se consegue assistir ao santo sendo consagrado http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-MC18,00.html)

Coisas de Interpretação

Agosto 15, 2005

Não sou do tipo que pára para escutar uma música. Sempre ouço música enquanto estou fazendo algo, como ler, trabalhar, estar em casa me preparando pra sair ou algo assim. Logo, nunca presto muita atenção às letras e também não tento interpretá-las devidamente. Foi por esse vício, de não me atentar a,o que é cantando que esta sexta-feira, dia 12/08, eu tive um “baque” ao descobrir que a música “Camila, Camila” possivelmente era a história de uma garota estuprada por seu pai. O baque foi porquê a pessoa que me contou fez isso no meio da música durante o show do Nenhum de Nós no lançamento do seu novo CD aqui em Floripa. Eu estava cantando a música com o sentimento que ela sempre me trouxe “coisas que se passaram, mas foram fortes, boas, mas passaram”, e quando ouvi que a letra contava, supostamente, a história de abusos de um pai perante a filha eu fiquei perplexo (acho que perplexo seja a palavra certa pois não sei definir com exatidão o sentimento que me atravessou naquele momento). Do meio da música em diante passei a relacionar a letra com a suposta origem dela, vi que havia algo de “abuso” na letra, assim como algo de “homosexualismo”, algo de “briga entre amantes” dentre outras possibilidades. Mas a possibilidade de estupro, essa me deixou com um nojo, um asco, uma tristeza por “Camila”…

O show do Nenhum de Nós estava excelente, a companhia era excelente, o fim da noite foi muito bom. Uma das coisas que gostei bastante no show foi ouvir uma das novas músicas da banda, denominada “Simples”. Me identifiquei muito com vários dos trechos. Lá vai a música como um todo logo abaixo e os techos que “gostei/me identifiquei” em negrito.

Queria te dizer palavras simples
Que guardariam tudo o que eu sinto

E pelo simples fato de te dizer
Mais forte ficaria meu sentimento

Mas nada que eu diga me parece exato
Nada que eu pense tem um sentido claro

Nenhuma canção vai me ajudar a descobrir

O que aconteceu conosco foi imenso
Um sentimento tão intenso
Que eu não encontro
As palavras certas não existem
No universo inteiro

Queria te dizer palavras simples
Queria te dizer palavras simples
Mas as palavras certas não existem
No universo inteiro
As palavras certas não existem
No universo inteiro

Queria te dizer palavras simples
Queria te dizer

Triste

Agosto 15, 2005

Minha querida,
A vida foi-se,
Os dias ficaram.
Agora brinco
De sorrir, ser feliz.
Mas as marcas
Nunca se apagaram.

Minha querida,
Lutei, sobrevivi.
Contudo, o que de mim
Naqueles dias morreu
Me deixou assim.

Por eles, aqueles dias,
Minha pequena princesa,
Não tenho culpa,
nem medo, nem ódio,
Apenas uma, grande
E irreversível, tristeza.

(Mais um texto que fica sob o rótulo de “Holocausto Infinito”. Este foi inspirado em Maus, mais especificamente no trecho em que Artie conversa com seu terapeuta polonês que diz nunca ter se sentido culpado por estar em Auschwitz, apenas triste.

Vai-te

Agosto 6, 2005

Tenha piedade de mim
Sou apenas mais um homem
Que foi derrubado pelos dias
E caiu numa amarga vida.
De rotina, de agonia.

Não quero que você se vá,
Mas não fique aqui comigo
Falando de coisas que temo.
Um futuro melhor, riqueza,
Aventuras, mulheres, Sol.

Dói lembrar de tudo que quis
Mas nunca chegou a ser.
Não alvejo novas realizações,
Quero apenas uma cama e um dia.
Um dia em que o mundo se calará.

Meus ouvidos temem palavras
Que aos outros são tão queridas.
Beleza, sucesso, felicidade
Parecem coisas perdidas, longe,
Bem longe, de tudo que foi e será.

Cala-te, e vai embora sem demora.
O que quis antes, não quero agora.
Que te cales e vai viver, vá embora
Porque hoje só espero minha hora;
Meu destino foi traçado: subviver.

(Ler o Maus de Art Spiegelman está mechendo bastante comigo. Esse é um poema de quatro que até agora esse livro me fez despejar no papel. Estou fascinado com o trabalho em quadrinhos, com o incrível Vladek. Vai que este tema ainda me põe um “Holocausto Infinito” a frente.)

Não confunda

Agosto 4, 2005

Isto é um blog que tem por objetivo ser um espaço onde eu possa colocar as coisas que, por vez ou outra, ando escrevendo. O que escrevo nem sempre é o que sinto, o que quero, o que pretendo. Um poema não tem de ser necessáriamente aquilo que estou sentindo ou senti, pode ter tido a inspiração em um momento do passado, um sentimento, numa cena que vi, ou uma história que me contaram. A partir daí desenvolvo a idéia indo pra onde mais me agradar. Posso fazer finais trágicos, alegres, sem sentido, não porque estou me sentindo assim, mas porque coube melhor ao que eu pretendia escrever.

Por favor, não venham me dizer que as coisas que aqui escrevo são todas aquelas que vivo ou sinto. Já imaginaram que monstro seria o Steven King? Ou quão fabulosa havia sido a vida de Tolkien? Que, como se sabe, foi das mais tranquilas.

Não sou aquilo que coloco no papel, é claro, que sempre minha visão, minha experiência do mundo vai influênciar naquilo que produzo, mas não ao ponto de se dizer quem sou, ou o que sinto, por aquilo que leram de mim. Não quero que novamente venham dizer-me que ficaram com determinada impressão de mim, impressão pessoal, devido a uma ou outra coisa que leram daquilo que escrevi. O que escrevo é o que escrevo, aquilo que sou é tão mais sem graça…