Posts de Março, 2006

Samba Andarilho

Março 30, 2006

Sou filho do tempo
Que me põe nos braços
Dá carinho e alento
Que conduz meus passos
No ritmo, no intento
De ter mais que sonhos
Ou simples pensamentos

Sou um pássaro pequeno
Que fugiu do ninho
Buscando alumbramento
Encontrando-se sozinho
Em seu contentamento
De ser secreto amante
Da vida e do momento

Sou andarilho, eterno aprendiz
O futuro é tão distante
Que eu prefiro ser feliz
O que tenho é o bastante
Dois olhos, boca, nariz
Vou seguindo adiante
Onde faço um amigo, crio raiz

(Fica aí o sambinha, uma brincadeira que precisa ser melhorada. Antes de resgistrá-lo vou fazer algumas alterações e trato de colocá-las aqui. Deixo o pedido ao Leo, tenta musicar isso aí… eu sei cantar, mas meu conhecimento musical é zero.)

Participação no Idéias Mutantes

Março 27, 2006

Estou participando da Semana Erótica do Idéias Mutantes com o poema Carne. Visitem os textos da semana temática e adicionem o Idéias no RSS, vale a pena.

Poema Carne

Saudades

Março 20, 2006

Saudades de meu pai. Daquele que ainda não perdi, mas já está perdido. Saudades, das lições de moral, das aulas de literatura, das discussões financeiras, da risada idêntica a de minha avó. Saudades daquela face que é a precessora da minha, do rosto no qual o meu facilmente se confunde.

Tenho ele ainda tão perto de mim, contudo ele se encontra muito longe. Seus passos tomaram um outro rumo, que apesar dele dizer serem os escolhidos, eu acredito, foram os impostos pela vida. Seu olhar agora se fixa num horizonte cada vez mais escuro, suas pernas vacilam, seu futuro lhe assusta, e, ainda assim, há nele todo o orgulho que o mantém ereto, olhando para frente, mesmo que não veja nem a luz, nem o futuro.

Gostaria de um abraço, deste que além de meu pai é o homem mais enigmático que conheço. Queria voltar no tempo e ter com ele uma daquelas longas conversas a respeito das banalidades de sempre naqueles dias em que subíamos o morro do sítio para sentar sobre as pedras e ver a mata na montanha a frente e os bois no pequeno vale que se forma antes dela.

Pego o telefone, faço quatro tentativas, três números diferentes. Então me lembro, meu pai quer se isolar do mundo. Relembro, também, que eu sou parte deste mundo a ser evitado e as vezes não há como arrombar as portas que meu pai usou para se distanciar de tudo. Fico eu aqui, em frente ao comptuador, com minhas lembranças, minha saudade e a vontade do abraço.

Casas negras

Março 16, 2006

Adentro por essas casas
Casas marcadas em negro
Negro do medo, do horror
Horror que tudo consome

Percorro negras casas
Em busca de uma luz
Clara, cinza, negra
Luz fugida de um olhar

Corro, percorro as casas
Transcorro antigas paredes
Procuro nas salas por vidas
Encontro apenas vestígios
Busco por lares, desencontro
Há somente escombros e pesares

http://umaporrolo.blogspot.com/

Primeiro veio a imagem, depois o texto, vai lá que, como sempre, não sai um grande poema, aqui fica a imagem pela imagem, a sensação tentando achar seu espaço.

Agradeço ao "uma por rolo" por ceder as imagens que aqui estão, tanto a fotográfica quanto essa outra que surgiu na minha mente com uma forte sensação, que tentei exprimir nesse texto, e é fruto direto da fotografia.

Espectros

Março 15, 2006

Nossos sinais foram apagados
Pela força monumental do tempo.
Ficamos apenas com nós mesmos,
Perdidos num mundo que não nos pertence.
Não somos mais os mesmos
Pois não vivemos como antes.
Que nos sobra? Qual nossa migalha?
Lembranças, passado, esquecimento,
É tudo que nos resta,
É o que nos cabe ser.

(Alguma opinião agora poderia ser boa. Esse meu texto me agrada muito, me põe num outro mundo que em breve poderei conhecer. Mas, a outros, que não possuem os mesmos gostos, o mesmo tato pela tragédia e por esse sentimento de se sentir mais humano sem ser triste ou feliz? Será que alguém pode gostar deste texto? Destes meus textos “pesados”? Dúvido, hoje vivemos demais para a “felicidade comprada” e o “gozo rápido” do que para algo mais… queremos tanto a profundidade, contudo, como não sobra tempo ou força para alcançá-la nos satisfazemos com a superficialidade num review ou crítica achada num blog através do google…)

Minha Luta

Março 7, 2006

Minha luta
Só recruta
Almas novas
Sãs e puras

Minha guerra
Pela terra
Não descança
Nunca cessa

Meus desejos
Com ensejos
Querem fama
Farra, cama

Braço forte
Feita mira
Povo: morte
Deuses: ira

Imagens Vitais

Março 2, 2006

O tempo pára.
Cada momento de nossas vidas é tirado de uma pilha e colocado um ao lado do outro, como folhas que vamos arrumando sobre a mesa, numa ordem cronológica que não sabe o tempo que ocorreu, contudo permite reconhecer qual folha é anterior ou posterior a outra.
Cada folha é uma imagem.
Cada imagem, ausente de ações ou relações com outras, fica ali exposta sob uma luz turva, alvo da poeira e de uma boa interpretação.
São como cartas de tarô disposta à mesa esperando a previsão – nem sempre correta.

Pequena Parte Corpo Aline
Estrela Nova Vida Gustavo

Olhar Igual Lua Clara
Iluminado Caminho Gustavo

Sorriso Aline Bela Aurora
Luz Calor Esperança Alegria

Vida Nova Nova História
Compania Tempo Futuro Feliz

(obs: No título, vital de relativo à vida, não de fundamental para ela.)