Posts de maio, 2006

Contato

maio 8, 2006

Foi inconsciente. Sentei no computador, na volta do almoço, abri o navegador, acessei o google, digitei teu nome completo, entre aspas. Ao recarregar da página lá estão diversas ocorrências do teu nome em vários sites. Olho rapidamente cada um dos sites. Nenhum deles pode te aproximar de mim, eles são apenas referências de um ponto no passado, e do teu passado eu tenho um tanto comigo. Tudo que queria, nesse gesto tolo de buscar num meio virtual alguma presença tua, era matar uma saudade que não justifica um telefone, uma visita, ou um email, mas que ambiciona, a qualquer custo, ser saciada.

Dou-me conta dos erros em meu ato. Como posso encontrar a ti da mesma forma que encontro referências a um telefone, serviço ou técnica? Será esta uma demonstração do quanto esse "viver vitual" está arraigado em meu comportamento de Analista de Desenvolvimento I? Serei eu o único homem no mundo a procurar uma referência da mulher que ama num site de internet, pois não quer incomodá-la com sua presença, mas ainda assim a deseja?

Sinto vontade de te ligar, mandar uma mensagem através do celular, enviar um email. Enfim, utilizar uma dessas tantas formas de comunicação que hoje temos a nosso dispor. Exito, penso, decido: deixarei de meter as mãos em um teclado qualquer para que possa assim encontrar um contato contigo. Deixo que algo em mim se desenvolva, a saudade, para que nosso próximo momento juntos seja melhor. Exitei, pensei, decidi. Contudo, minha saudade ainda permanece, e o que fazer? Fecho os olhos, mentalizo teu sorriso, a tarde de ontem, os beijos. Lembro-me do som da tua fala, da textura da pele, do cheiro em teus cabelos. Satisfaço meus desejos e tenho um outro tipo de contato contigo, um mental, desses que pede que tu estejas pensando, nesse momento, como eu penso em ti.

Talvez o telefone toque daqui a quinze minutos, pois recebesses minhas "mensagens mentais" e tivesses ação, enquanto eu me contive para ela. Talvez não. Fica a possibilidade que eu deixo a cargo da sorte, da minha mensagem mental e de ti. Se minha vontade de te ter, ver, ouvir, tocar, não for saciada agora, parcialmente, assim será num outro dia, de forma plena – indescritível.

Calouro!

maio 3, 2006

Primeiro dia de aula. Entro na sala. Nada de anormal, a anormalidade esperada está lá. Cabeças coloridas, gente quase vestida de terno, senhores e senhoras tão ou mais velhos que meu pai, garotos que ainda são sustentados pelos pais, garotas recatadas e, é claro, rapazes de piercing, botas cano-longo e jaqueta de couro.

Sento na cadeira, espero. Observo os que estão a minha frente e me questiono. Quem desses tem, realmente, talento para a coisa? Quais de nós, aqui presentes, farão a diferença como profissionais? Quem conseguirá sobreviver do que gosta? Quem terá o diploma daqui a quatro anos e quem desistirá no início da segunda fase? Impossível prever, coisas que só as aulas contarão.

Entra o professor. Dá boas vindas aos calouros, entrega o plano de ensino, bibliografias e inicia nossa primeira aula. Seus gesto são fortes, tanto que cada gesticulação torna as palavras mais substanciais, deixa o olho atento – inapto para dormir. Quinze anos de experiência mostram que o melhor técnico, ao dar aulas, deve ser um menestrel, ator, cantor. Deve chamar a atenção, com relação a mim, sucesso; não consigo desviar o olhar de suas mãos nem o ouvido das palavras. Talvez esta curiosidade seja apenas o entusiasmo do primeiro dia.

A aula se desenovlve, os primeiros questionamentos tímidos, alguns esboços de discussão, uma ou duas contribuições para a aula. Eu prefiro permanecer em silêncio, exitem quatro longos anos pela frente para que minhas palavras se façam presentes. Já é possível perceber, ao menos, os mais falantes. Sinto o sangue pulsar na veia como há algum tempo não acontecia. Anseio, desde já, pelos desafios que essa graduação poderá me trazer. Desafios com os quais venho me defrontando ao longo dos meus últimos seis anos de vida, desde que descobri essa matéria que, de tanto que me atrai, coloca-me agora nesta sala de aula.

Amanhã terei a segunda aula. Filosofia, finalmente me encontro estudando Filosofia. Contudo, no exato momento em que me encontro na sala de aula já vislumbro ao longe o segundo desafio a ser superado: fazer Filosofia. O tempo dirá se dentre aqueles que desistirão no segundo semestre, não estarei eu lá. Ele também revelará se o diploma me tornará filosofo ou a vida é que assim vai me fazer. Mas eu digo, seja qual for meu caminho, minha mente espreita algumas verdades. Senão as universais, ao menos as minhas.