Posts de Julho, 2006

O que é EpiCaos

Julho 29, 2006

Estamos presos ao nosso dia-a-dia. Muitos de nós vivem tão loucamente suas rotinas que o relógio é a regra, mas o tempo é a exceção. Tudo corre demasiadamente depressa: trabalho, estudo, diversão com horário contado, dia marcado. Temos de marcar tempo para amar, tempo para ser amigo e o tempo para nós mesmos fica sempre para depois, no amanhã que, sem data marcada, nunca chega.

Como se não bastasse o absurdo do tempo que não vivemos, mas geralmente vemos passar, ainda há o excesso de informação que nos bombardeia diariamente: blogs a serem lidos, jornais no café da manhã, e-mails no trabalho; a guerra no Cazaquistão, o preço do petróleo, a taxa de juros, a enchente no sul do estado, o jovem assassinado. Recebemos tanta coisa, todos os dias, que as vezes parece que não produzimos conhecimento ou informação própria, tudo nos é dado. Sente-se em frente à TV e assista, porque viver… bom, a novela vive por você.

E ainda há o medo, da guerra, da enchente, da informação perdida, do assalto, do pneu careca, da taxa de juros. Vêm, então, gastrites, LERs, olhos que precisam de novos óculos a cada ano; vêm as vezes a solidão de quando você se pega num escritório rodeado por centenas de pessoas, mas sozinho. O nosso mundo, esse em que você e eu estamos inseridos, é demasiadamente louco, ausente de consideração com nós, viventes. Ele exige, pede, espera, porém nem sempre somos como as máquinas que trabalham por nós… somos humanos, e como tais precisamos de um EpiCaos.

Elevar-nos acima do caótico mundo em que vivemos, para vivermos apenas nosso próprio mundo. Abstrair as obrigações, relógios, medos, gastrites e informações que não nos acrescentam nada de relevante. Buscar esse universo perdido que nós mesmos somos. Conhecer a nós mesmos num momento que mistura a mística da experiência, nossa, própria, com o diálogo acerca do mundo que vivemos, filosofia. Deixar este caos, também necessário, em que estamos inseridos para nos tornarmos deuses de nosso própria condição, olhando-nos de um EpiCaos, um novo Olimpo que não nos exige ascendência divina nem atos homéricos. Faça o seu próprio EpiCaos, entre nele, viva-o e não se esqueça de sempre voltar lá.

Bem vindos ao meu EpiCaos …condensado de humanidade num punhado de palavras.

Intelectuais denunciam tentativa de destruição da nação palestina

Julho 22, 2006

Reproduzo um email que enviei a alguns amigos na noite de hoje…

Já que a grande mídia não fara caso desta carta, ou melhor, a ignorará pelo seu conteúdo crítico, faço minha parte tentando levá-la ao seu conhecimento.

fonte: http://www.debrasilia.com/index2.php?pag=ver_noticia&cod_noticia=4911

Intelectuais citados:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Saramago

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chomsky

http://pt.wikipedia.org/wiki/Harold_Pinter

http://en.wikipedia.org/wiki/John_Berger


Intelectuais denunciam tentativa de destruição da nação palestina
A dupla moral do Ocidente Quatro dos mais conhecidos intelectuais ocidentais divulgaram uma carta denunciando o que chamam de “moral dupla do Ocidente” em relação ao que vem acontecendo no Oriente Médio, no conflito entre Israel e Palestina. Noam Chomsky e os escritores Harold Pinter, José Saramago e John Berger assinam o texto que denuncia “uma prática militar, econômica e geográfica de longo prazo, cujo objetivo político é nada menos do que a extinção da nação palestina”. A íntegra do documento é a seguinte:

A dupla moral do Ocidente
“O último capítulo do conflito entre Israel e Palestina começou quando as forças armadas israelenses seqüestraram dois civis, um médico e seu irmão, em Gaza. Um incidente que teve escassa repercussão nos meios de opinião de qualquer parte do mundo, com exceção da imprensa turca. No dia seguinte, os palestinos tomaram como prisioneiro um soldado israelense – e propuseram libertá-lo negociando um intercâmbio de prisioneiros em mãos dos israelenses. Há aproximadamente 10 mil palestinos detidos nas prisões de Israel”.

“Que este “seqüestro” seja considerado uma atrocidade, enquanto que a ocupação militar ilegal da Cisjordânia e a apropriação sistemática dos recursos naturais dos palestinos – principalmente a água – por parte das forças armadas israelenses é considerada um fato da vida, lamentável mas realista, é típico da dupla moral que com freqüência emprega o Ocidente frente ao que ocorreu aos palestinos, na terra que lhes foi adjudicada mediante acordos internacionais, durante os últimos setenta anos”.

“Hoje, a uma atrocidade segue-se outra atrocidade; os mísseis improvisados se cruzam com outros sofisticados. Estes últimos, em geral, encontram seu alvo onde vivem os pobres despossuídos e morando empilhados, esperando o que alguma vez se chamou Justiça. Ambas categorias de mísseis dilaceram corpos de maneira horrorosa – quem senão os comandantes de campo podem esquecer isto por um momento?”

”Cada provocação e contra-provocação é objetada e dá lugar a um sermão. Mas todos os argumentos, acusações e promessas subseqüentes servem como uma distração para desviar a atenção mundial de uma prática militar, econômica e geográfica de longo prazo, cujo objetivo político é nada menos do que a extinção da nação palestina”.

Isso deve ser dito em voz alta e clara já que a prática, declarada somente metade das vezes e freqüentemente encoberta, avanças a passos acelerados nestes dias e, em nossa opinião, é preciso reconhecê-la constante e eternamente como o que é, e opor resistência a ela”.

Negação

Julho 1, 2006

Nâo tente acreditar em minhas palavras
Não venha me dizer que é paixão
Da minha boca só saem farsas
Sementes da dor e da aflição

Se hoje sou teu amor
É porque sou pura ilusão
Não compartilho o teu valor
Não sou verdade, honra ou razão

Desconfie do que eu digo
Minha moral não tem valor
Sempre fui um mau amigo
Cheio de vaidade e rancor

Nós não teremos solução
Só conheço dúvida e pavor
Deixe-me com minha solidão
Já não sou nem um sonhador

(Fica aí, mais um canto. Isso sai como um CPM da vida, ou mais uma dessas bandas de Metal Melódico, sei lá! Mas gostei de cantar estes versos com a minhas voz mais grave e com uma velocidade um pouco acima do normal e, é claro, com o pesar que a letra da música exige. Isto é só a letra, consigo cantá-la mas a melodia, o ritmo e essas coisas técnicas que competem a um músico ficam ou para o futuro ou para nunca…)