Posts de Outubro, 2006

retência filosófica II

Outubro 15, 2006

 

“Prefiro as incertezas concretas às verdades intangíveis.”

Capedonte

 

 

 

reticência filosófica I

Outubro 10, 2006

Reticência filosófica, quando o que se pensa não deve ir além de nossa mente, pois ou pode ser muito idiota ou pode ser demasiadamente sagaz.

Coloco aqui aquilo que considero o mais belo trecho de literatura que alguém que estuda filosofia pode se deparar. Sem mais comentários deixo vocês com  O Andarilho de Nietzsche e minha reticência filosófica, pois tantas vezes os comentários são apenas formas idiotas de repetir o já muito melhor dito.

e… (tinha de usar reticências aqui, claro)… Have a Nietzsche Day!

Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a Terra senão como um andarilho – embora não como um viajante em direção a um alvo último: pois este não há. Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo o que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade. Sem dúvida sobrevêm a um tal homem noites más, em que ele está cansado e encontra fechada a porta da cidade que deveria oferecer-lhe pousada; talvez, além disso, como no Oriente, o deserto chegue até a porta, os animais de presa uivem ora mais longe, ora mais perto, um vento forte se levante, ladrões lhe levem embora embora seus animais de tiro. É então que cai para ele a noite pavorosa, como um segundo deserto sobre o deserto, e seu coração se cansa da andança. Se então surge para ele o sol da manhã, incandescente como uma divindade da ira, se a cidade se abre, ele vê, nos rostos dos que aqui moram, talvez ainda mais deserto, sujeira, engano, insegurança, do que fora das portas – e o dia é quase pior que a noite. Bem pode acontecer que isso aconteça às vezes ao andarilho; mas então vêm, como recompensa, as deliciosas manhãs de outras regiões e dias, em que já no alvorecer da luz ele vê, na névoa da montanha, os enxames de musas passarem dançando perto de si, em que mais tarde, quando ele, tranqüilo, no equilíbrio da alma de antes do meio-dia, passeia entre árvores, lhe são atiradas das suas frondes e dos recessos da folhagem somente coisas boas e claras, os presentes de todos aqueles espíritos livres, que na montanha, floresta e solidão estão em casa e que, iguais a ele, em sua maneira ora gaiata, ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos segredos da manhã, meditam sobre como pode o dia, entre a décima e a décima segunda badalada, ter um rosto tão puro, translúcido, transfiguradamente sereno: – buscam a filosofia de antes do meio-dia.

Paz Infantil

Outubro 2, 2006

Olhem aquelas crianças
carregando armas
sem qualquer esperança,
A morte lhes chama.

Desconhecem a alegria
de viver em uma terra
onde não há a agonia
nem a dor desta guerra.

Elas continuam lutando.
Todo inimigo alvejado
é um desejo se quebrando,
outro pecado consumado.

A criança quer apenas sorrir,
Contudo ela não é capaz.
Já que nunca a deixarão desistir
luta pelo que jamais terá: paz.

Crianças Soldados no Congo

(Poema antigo, feito durante meu curso técnico quando eu ia lá pelos 16 anos e já me preocupava muito com a situação das crianças em África e Oriente Médio.

Que podemos nós, aqui, fazer por elas? Não temos nós tantos “meninos falcões” perdidos pelos morros de nosso país? Será que o voto que depositamos na urna sob o sigilo da lei e a discrição da cabina nos farão mudar uma nossa realidade tão próxima desta africana?)