Posts de Dezembro, 2006

Faz-te caminho

Dezembro 14, 2006

Ponho a mochila nas costas. Não há um roteiro, nem rumo, nem certeza. Como disse Don Quixote “Caminante no hay camino, se hace camino al andar”. Tudo que tenho é a necessidade de esquecer de tudo, ou ver tudo de tão longe que eu possa entender alguma coisa dentre o que foi passado. Devaneio de um jovem que acha que o Andarilho de Nietzsche já existiu e que deve estar em algum lugar revesando sua caminhada entre as manhas cheias de musas e as noites escuras de uma selva chamada cidade.

Coloquei a mochila às costas e seguirei um rumo qualquer. Sei que tudo quanto planejo não acontece, tudo quanto desejo se parte, alguma coisa que faço nunca é reconhecida. As vezes acho que sou demasiadamente ambicioso, mas agora só quero um caminho pra seguir com longas horas de estradas e calos doloridos nos pés. Bastarão a mim duas ou três pessoas por dia com as quais poderei trocar algumas centenas de palavras e aprender mais alguma coisa sobre a vida, ter mais uma história humana guardada no livro de contos que vamos escrevendo ao longo da vida.

Não sei se encontrarei um final, isso me assusta muito. Talvez o alcance apenas no momento em que não tiver mais este dinheiro, que num caixa eletrônico qualquer pelo mundo, poderá me salvar de uma ou outra emergência. Ou quando meus braços não acharem trabalho. Ainda assim fico assustado: e se eu não encontrar mais o caminho de volta para casa? Será que me transformarei no andarilho que anda não por opção, mas por não ter um porto seguro?

Serei realmente livre então? Ou estarei apenas preso a uma fulga da vida que me tangia e eu preferi renegar? Não sei. Levo três camisas, um casaco para o frio, uma blusa de lã, quatro pares de meia, seis cuecas, duas calças, um caderno de anotações, dois pares de tênis, uma faca de caça, um canivete faz-tudo, alguns sonhos quebrados e uma saudade. Saudade que, mesmo eu não tendo nem saído de casa ainda, já me consome, não por ser a saudade do andarilho, mas a do amante.

Index

Dezembro 5, 2006

Não, o fogo não
Pode amedrontar, jamais,
O compromisso com a verdade.

Não! O fogo não!
Contestem, refutem;
Provem aquilo que errei!

Não! O fogo não!
Ele não pode queimar
As idéias de um homem.

Ah, Não! O Index não
Ocultará a luz das chamas
Vinda das grandes mentes!

Não! Meu corpo não!
Minhas cinzas o vento levará,
Mas meu nome ficará na história.

Não! O fogo não
Melhorará o mundo
Nem elevará os homens!

Ah! As idéias… estas sim!