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Conclusão Homicida

Setembro 21, 2007

Se solidão matasse, meu cérebro estaria enfeitando o teto de vermelho.

Distância

Abril 18, 2007

Escuto sua voz do outro lado da linha. O peito dispara, sei exatamente o porquê. Pesa-me a falta da conversa, a ausência da voz, o momentos de discussão e de entendimento que tantas vezes temos. O passado nos mostra que apesar dos litígios, das ofenças, dos rancores pouco duradouros, das palavras indelicadas, existe algo que nos une, e só uma força muito maior poderá nos privar disso.

Tua voz tem aquele tom que conheço tão bem e que tão triste me deixa. A voz dos erros do passado, dos medos do futuro, da escuridão que se põe a sua frente, da perspectiva que te falta de tantos modos, da tristeza e da solidão que vêm e se põem ao seu lado sem arredar o pé. Minha voz também se altera ao ouvir a tua, a saudade é grande, de ti e de todos aqueles que estão aí. Falo com eles mais do que contigo, amo eles tanto quanto a ti, mas em ti há qualquer coisa que faz do vínculo mais forte, da necessidade de expressar os sentimentos mais urgente.

Digo que te amo, não por educação, formalismo ou falsidade. Digo isso porque essas palavras parecem ser a ti mais necessárias do que a qualquer outro que está neste continente, que deixei há tão pouco tempo. Falo isso porque a possibilidade de eu retornar e tu teres ido embora me deixa desesperado. Sei que o desespero não é só meu, por mais que tentes ser forte, negando tudo, também sentes essa necessidade. Ouço tua voz, mas não posso abraça-la — resta-me a memória, que não falha, mas não dá um fim à saudade que tenho agora.

Todos os dias lembro de ti, como não lembrar? Olho-me no espelho: ali há muito mais do que apenas eu, na imagem refletida te encontro nos traços da minha face, no cabelo, no formato do nariz, no jeito de falar e nos meus sonhos que são os mesmos que tivestes um dia. O que faço agora, se posso escrever mas não posso conversar contigo? Abraço o espaço vazio em que minha memória projeta a tua imagem?

Se a garganta tantas vezes tem um nó e dói falar, meus dedos agora estão amarrados e só me resta uma frase.

Espera por mim, Pai.

Grandezas

Fevereiro 5, 2007

Sento aqui sobre um pedaço de pedra que deve estar parada, neste mesmo lugar, por centenas de milhares de anos. Perto dela o que é minha vida? Não uma mera fagulha diante da imensidão do tempo? Não mero devaneio de vivência perto da sua longetividade? Não simples acaso que vai e passa? Mais uma vida que ela irá observar?

Pego-me pensando em quanta gente vive em minha cidade. Uns trezentos mil habitantes. Quantos conheço? Mil, sendo bem otimista? Quantos deles já vi? Um ou dois terços? Então minha imaginação deixa o espaço geográfico se expandir. Diante dos mais de cento e sessenta milhões de brasileiros, o que sou eu? Mais um mero dado estatísco? Existo só pra cinqüenta pessoas que vivem estreitamente comigo? Sou um RG, um número dentro dos muitos possíveis nas sete casas numéricas de meu registro geral?

Isso que só penso na pedra e só penso no Brasil. Não me permiti, em momento algum, a grandezas universais. É possível que consigamos pensar no quão ridículo é nosso viver por sobre a terra? Se compararmos a nossa vida a esta existência universal, o que somos?

É normal que dentro deste pensamento louco queiramos valorizar nossas ações e nossos poderes de fazer o mundo melhor, deixar nossa marca no tempo, nossa vida registrada na mente de milhões de pessoas. Por exemplo, Gothe, se sua obra sobreviver por mais mil anos, quantos o terão lido, quantos conhecerão ele, por quanto tempo perdurará a extenção de sua vida que é sua obra? Alguns segundos de uma vida humana se colocarmos este grande autor diante da magnitude que é uma existência universal?

Não quero ser chamado de pessimista, mas também não quero que me digam que nossa vida é grandiosa, que Deus nos deu isso ou aquilo. Sinceramente, somos uma aberração. O acaso que deu certo, a espécie que dominou, que se superou, que evolui um bucadinho mais para que a destruição das outras fosse possível. É isso que somos, um acaso. E Deus? Como é possível crer nele quando ele, se existe, está tão distante e é tão absurdamente maior que nós? Ah, sim, mesmo com a distâcia ele está próximo, bastante próximo. Por favor… minha pequenez não permite a compreensão de algo como Deus, e como não me dou a atos de fé, prefiro crer no acaso, nos dados mágicos que tiraram Einstein dos eixos… prefiro deixar esta criação humana chamada Deus com os tolos à moda antiga, pois eu prefiro ser um tolo contemporâneo: crer no acaso.