Viva

Agosto 6, 2007 por Capedonte

A vida as vezes parece sólida, está ali, presente, irrevogável, poderosa. Mas as vezes, tantas, ela mostra toda a sua sutileza, o quão fracos e sucetíveis ao acaso nós somos. Muitas vezes é preciso um momento muito difícil, a perda ou o mal de alguém querido para que isso fique claro.

Mas ainda existem manhãs em que nos acordamos e nos damos conta da vida, mesmo diante dos problemas, da fragilidade em que se encontram aqueles que nos são queridos, vemos o quão importante é vivê-la. Talvez, por isso em Nietzsche haja um recurso tão grande à imagem do convalescente. Afinal, só quando se enfrentou determinadas situações, quando se esteve no fundo de um abismo, é que podemos ver o quão belo é o dia claro sobre as montanhas.

A vida é frágil, bela, forte em momentos decisivos. Não é à toa que é um substântivo feminino. Não há como querer fazer com que os jovens entendam a sutileza da vida, o quão linda e delicada ela é: é necessário que eles vivam.

Que vivamos todos nós, para nos acordarmos um dia e nos darmos conta do que é a vida.

(Não é necessário muita coisa para que a vida se faça sentir, mas momentos, pessoas e lugares especiais ajudam.)

Torre Eifel, queda da Bastilha

Torre Eifel

Londres

Dois

Junho 14, 2007 por Capedonte

O homem é fascinado por certos números. Às vezes temos apenas uma preferência pessoal por um dois, três, sete, trezes, mas na maioria dos casos existe toda uma história de adoração. Castisais de nove velas, a Trindade Cristã, os nove mundo espirituais do camdomblé, os sete trabalhos de Hércules, os três reis magos, o Ying Yang. Não é preciso ir muito longe, olhe para você mesmo, ainda que por menos místico que seja, existem certos números que te acompanham e que não são aqueles da sua conta corrente ou do seu RG.Algumas áreas tem preferência específica por dado número, como que uma tentativa de se aproximar da perfeição. Não é à toa que todo o tipo de sistematização sempre procura definir as coisas em valores determinados, características que podem ser delimitadas pelo número de variações em que ocorrem: quanto menor o número dessas variações e mais perto de um número já “forte”, melhor. Olhe para o cristianismo e suas influências na filosofia: lá está o três. Pare e pense na história judaíco-cristã, veremos o sete. Pense nos pitagóricos em busca das perferições geométricas. Em todo o lugar o número assume um papel muito maior que o de mero instrumento científico ou objeto de estudo da matemática e apresenta suas características cabalisticas, míticas e divinas em toda a parte.

Na literatura parece que o indivíduo é sempre ligado a um número bem especial nessa área: o dois. Creio que a relação mais interessante com este número se dá com a divisão do Eu. Aquele que se vê conturbado com duas partes distintas: a má e a boa. Não precisamos fazer um grande esforço para verificar isto, no livro o Médico e o Monstro, onde Dr. Jekyll produz uma substância capaz de separar a parte boa da parte má de uma pessoa, contudo o resultado não foi exatamente o esperado e este médico acaba se transformando no terrível Sr. Hyde. Dualidade que se espalha pela literatura, nem sempre ligada à divisão entre bem e mal, muitas vezes paródia de dois seres que apenas diferem, e por diferirem, formam uma bipolaridade fantástica.

Mas afinal, o que um médico que vira monstro, esta dualidade, que se difunde pela literatura e pela vida, tem a ver com aquilo que é perpetuamente humano? Não é muito difícil responder, pois todos nós passamos ou passaremos por este momento ao menos uma vez na vida, pela transição continua entre dois seres incompatíveis, mas existentes dentro de um mesmo indivíduo. Uma dualidade fabulosa, o monstro que destrói dentro do médico que cura, o homem que ama junto ao que agride, a mulher que zela pelos seus filhos e despreza os alheios, o pai que ama e machuca, o velho de cara simpatica e sorriso suave que esconde segredos e horres cometidos num passado nem sempre tão distante. Ou ainda, indo além dessa mentalidade de bem e mal, apenas vislumbrando algo mais fascinante, os opostos: gordo e magro, inteligente e burro, feliz e tristonho, líder e pai, pai e filho, amigo e inimigo, belo e feio. Entretanto, não precisamos nos limitar a estes opostos tão evidentes, podemos encontrar aquela característica pessoal, única e quase indistingüível que faz com que duas pessoas possam ser muito diferentes; nessa capacidade de olhar profundamente aquilo que o homem é ou não, é que se encontra a grandeza dos gênios da literatura; e talvez por isso existam dois tipos diversos dela, um imortal, que fala da humanidade de todos, e outro mero produto temporal, que apenas conta uma história – as histórias sempre passam, o que é humano, não.

Eu sou, estou, me identifico com a possibilidade que todos temos de sentir-se dois. Hoje, a vida se mostra e posso sempre escolher duas formas de vê-la. Uma com um cínico e pessimista olhar filosófico, que escrutina o mundo e vê apenas o acaso e a dor, o medo e a contigência, o pudor e a proibição, o interesse e o egoismo. Esse mesmo, às vezes vê nessa miríade de coisas terríveis a melhor possibilidade de livrar-se de tudo que há de ruim no passado e buscar qualquer coisa de novo, destruindo todas aquelas marcas do passado que estão em nós e não podemos apagar com o simples desejo. Ainda há um outro Eu, um que vê a beleza de novos lugares, a certeza da felicidade, o sorriso que te levanta das sombras dos pensamentos escuros, o amor que cura as dores e os olhares que confessam sem ter pecados a revelar. Esse mesmo eu, filho da ambiguidade, daquilo que já é duplo, também sofre com um futuro que separa, com a possibilidade da incerteza, com encontros com aquilo que é feio e nos deixa mal; olha para o futuro e teme, tenta sorrir mas tem dores muito profundas.

Dois Eus, um simples jovem que tenta pensar o tudo e do tudo vai do pessimismo a um otimismo duvidoso; o outro que apenas se preocupa em viver, que da alegria soberba vai ao medo e à tristeza daquilo que ainda não é. Sinto-me bipartido e cada uma dessas metades ainda mais bipartida. Talvez não seja suficientemente interessante essa bipartição para que se possa criar um texto na altura de um “Il Visconte dimezzato” de Italo Calvino, onde um visconde após ser atingido por uma bala de canhão no campo de guerra, se vê divido em duas metades, uma excessivamente má e a outra inconvenientemente boa. Sinto-me como o personagem do mesmo autor no “Il Cavaliere Inesistente”, que é mas não sabe que é (“Questo suddito che c’è ma non sa d’esserci”), que ao ver qualquer coisa tenta transmutar-se nela, pois em si mesmo não há uma identidade. Ao contrário do personagem principal deste livro, que não é mas sabe que é (“mio paladino là che sa d’esserci e invence non c’è”), identifico-me com Grudulu, este que é e não o sabe, que com existência própria, mas sem identidade, busca ser qualquer coisa e com tudo se confunde e se funde. Típico problema daquele que se busca mas não se encontra e que, talvez, jamais se encontrará.

Como este blog é hoje, além de um espaço que busca ser literário e filosófico, um diário de viagem, aqui vão as bipartições destas minhas pequenas viagens dentro desta grande jornada que é viver em Terras de Itália. Primeiro as fotos e as lembraças daquele Eu que vive e que se alegra e também se coloca na dúvida do futuro. Em seguida, um clipe daquilo que sempre procuro ouvir quando o Eu “que pensa” busca um refúgio ou um modo de se afogar ainda mais nos pensamentos escuros.

Primeiro as fotos do otimista:
Garoto Fashion, musculoso e bonito :D
Garoto Fashion, musculoso e bonito :D

Cinque terri, lugar fantástico!
Cinque Terri, lugar fantástico!

Milano
Milano!

Meu primeiro boneco de neve!
Meu primeiro boneco de neve!

Sorvete de Neve, atrás, Cortina d’Ampezzo
Sorvete de Neve, atrás Cortina d’Ampezzo

Firenze e la mia fidanzata
Firenze e la mia fidanzata

No antigo observatório astronômico de Bologna
No antigo observatório astronômico de Bologna

Aquário de Genova, tocando nas araias
Aquário de Genova, tocando as araias

Depois o vídeo do pessimista:

Distância

Abril 18, 2007 por Capedonte

Escuto sua voz do outro lado da linha. O peito dispara, sei exatamente o porquê. Pesa-me a falta da conversa, a ausência da voz, o momentos de discussão e de entendimento que tantas vezes temos. O passado nos mostra que apesar dos litígios, das ofenças, dos rancores pouco duradouros, das palavras indelicadas, existe algo que nos une, e só uma força muito maior poderá nos privar disso.

Tua voz tem aquele tom que conheço tão bem e que tão triste me deixa. A voz dos erros do passado, dos medos do futuro, da escuridão que se põe a sua frente, da perspectiva que te falta de tantos modos, da tristeza e da solidão que vêm e se põem ao seu lado sem arredar o pé. Minha voz também se altera ao ouvir a tua, a saudade é grande, de ti e de todos aqueles que estão aí. Falo com eles mais do que contigo, amo eles tanto quanto a ti, mas em ti há qualquer coisa que faz do vínculo mais forte, da necessidade de expressar os sentimentos mais urgente.

Digo que te amo, não por educação, formalismo ou falsidade. Digo isso porque essas palavras parecem ser a ti mais necessárias do que a qualquer outro que está neste continente, que deixei há tão pouco tempo. Falo isso porque a possibilidade de eu retornar e tu teres ido embora me deixa desesperado. Sei que o desespero não é só meu, por mais que tentes ser forte, negando tudo, também sentes essa necessidade. Ouço tua voz, mas não posso abraça-la — resta-me a memória, que não falha, mas não dá um fim à saudade que tenho agora.

Todos os dias lembro de ti, como não lembrar? Olho-me no espelho: ali há muito mais do que apenas eu, na imagem refletida te encontro nos traços da minha face, no cabelo, no formato do nariz, no jeito de falar e nos meus sonhos que são os mesmos que tivestes um dia. O que faço agora, se posso escrever mas não posso conversar contigo? Abraço o espaço vazio em que minha memória projeta a tua imagem?

Se a garganta tantas vezes tem um nó e dói falar, meus dedos agora estão amarrados e só me resta uma frase.

Espera por mim, Pai.

Fotografe bem em 7 passos

Março 26, 2007 por Capedonte

Primeiro Passo: dirija-se a uma agência turistica e compre um pacote para um período na Itália, atenção, esse requisito é essencial: para a Itália!

Segundo Passo: deixe para comprar a câmera nova aqui. Traga apenas uma antiga para registrar os primeiros momentos, mas aquela que você usará com estes passos deve ser adquirida em território europeu devido ao baixo custo em relação ao Brasil; dê preferência por lojas onde a haja um cartaz assinalando o “Tax Free” (ou seja, que ao sair da Europa você tem o imposto chamado IVA restituido, que gira em torno de 12% do valor do produto), contudo essa dica não vale para aqueles que compraram passagem só de ida, pois é necessário voltar para casa dentro de três meses para receber a restituição. Se você não seguir este passo, com certeza, reclamará por três dias, ou mais, porque pagou, no Brasil, uma fortuna numa câmera que em qualquer loja italiana especializada iria custar dois quintos do preço.Terceiro Passo: escolha bem, ou nem tanto, pois quase toda a cidade italiana tem algo de belo para ser fotografado, os lugares por onde você vai passar. Também deixe algum tempo livre para passeios não planejados, já que no caminho você sempre descobre um lugar interessante ou fica com vontade de retornar a algum específico.

Quarto Passo: escolha como parceria para viagem alguém que não esteja interessado em fotografar bem e também não domine essa arte. Esse passo é essencial, pois você verá que o contraste entre as suas fotos e a da sua companhia fará você se sentir muito melhor, pois suas fotos serão sempre mais belas.

Quinto Passo: ande sempre com pilhas reservas, bem calibradas e carregadas. Alguns lugares, inesperadamente, podem ser fabulosos para fazer seus clicks, neles é sempre muito provável que a sua bateria acabe e que todas as tabacarias e lugares afins, onde na Itália se pode comprá-las, estejam fechados para o almoço.

Sexto Passo: preste atenção nas belas paisagens, alguns lugares simples podem render fotos belíssimas, saiba parar e ver onde um click pode render uma boa recordação; procure ver onde a iluminação é ou não boa, dizem os especialistas que esse é um item essencial; mantenha sua câmera num ângulo favorável. E, importante, veja sempre se as igrejas e museus onde você entra têm uma placa permitindo fotofrafias, caso você dispare indevidamente um flash nesses lugares com certeza escutará qualquer coisa como um “NO FOTO!!! NO FOTO” vinda de um italiano com uma cara nada simpática e num tom de voz bem agressivo.

Sétimo Passo: tire muitas, mas muitas fotos!!! Se sua viagem acumular umas mil fotos, com certeza cinquenta, no mínimo, serão muito boas. Não tenha medo de arriscar, gastar pilhas, ou deletar as fotos ruins, para este guia, o exagero quantitativo é a garantia de um bom resultado qualitativo.

Agora veja alguns resultados de se seguir esses passos:

Jardim do Teatro Romano de Vicenza

Jardim do Teatro Romano de Vicenza

Vicenza - Teatro Romano

Piacenza

Verona

Bologna vista de cima da sua Especola, lugar onde se faziam observações astronomicas.

Vicenza

E, é claro, não esqueça de se divertir!!!

Quer entrar na briga???

Sistemare

Março 1, 2007 por Capedonte

Duas semanas na Italia. Agora sim, estou fixado em algum lugar, jà como comida de verdade, consigo usar o computador, nao me perco nas ruas de Padova e consigo entrar numa padaria e pedir o material pro cafè da noite.  Contudo ainda nao me adaptei a esse teclado no padrao italiano, apesar das dicas de um amigo.

A vida aqui vai muito diferente daquela que levo em Florianopolis. Nao estou trabalhando aqui, nao tenho o “suporte” da mae, nao tenho de pegar oitocentos onibus para chegar na universidade, nao preciso atravessar uma das pontes para falar com minha namorada, nao gasto pouco aqui e tambèm nao tenho conversado muito sobre filosofia, carros, computadores e afins.

Jà assisto a duas das tres aulas que frequentarei nesses cinco meses em Padova. Filosofia Politica e Filosofia Morale, sao aquelas que assisti ateh agora, a primeira, como è dada para uma turma mais avancada, è muito interessante, estudando Focault. A segunda, com gente muito mais nova e de varios cursos diferentes, tambèm tem um programa excelente, mas nào pude perceber nada de muito empolgante na apresentacao do professor.

Ah! Peco desculpas por estar fugindo do escopo do blog, mas estar em um pais diferente, apenas estudando e vivendo com minha namorada é uma situaçàao magica pra mim, um Epicaos! Ah! Aviso de que o laboratorio de informatica vai fechar em cinco minutos, fica o texto por aqui, sem fim descente, revisao, ou acentos gramaticais.

Abraços!

Partindo

Fevereiro 12, 2007 por Capedonte

Lavando o rosto, penteando o cabelo, arrumando o último detalhe na mala. Chegou a hora, o avião parte daqui há duas horas. Vou para o velho mundo, que de mim em nada merece esse título: vou para o novo mundo!

Post sonolento, cara de sono, tudo é um pouco de sono e ilusão pelo momento que enfim chegou. Um pouco surreal, mas nada que vá dar um bom texto ;)

Abraços para os que aparecem por aqui.

Grandezas

Fevereiro 5, 2007 por Capedonte

Sento aqui sobre um pedaço de pedra que deve estar parada, neste mesmo lugar, por centenas de milhares de anos. Perto dela o que é minha vida? Não uma mera fagulha diante da imensidão do tempo? Não mero devaneio de vivência perto da sua longetividade? Não simples acaso que vai e passa? Mais uma vida que ela irá observar?

Pego-me pensando em quanta gente vive em minha cidade. Uns trezentos mil habitantes. Quantos conheço? Mil, sendo bem otimista? Quantos deles já vi? Um ou dois terços? Então minha imaginação deixa o espaço geográfico se expandir. Diante dos mais de cento e sessenta milhões de brasileiros, o que sou eu? Mais um mero dado estatísco? Existo só pra cinqüenta pessoas que vivem estreitamente comigo? Sou um RG, um número dentro dos muitos possíveis nas sete casas numéricas de meu registro geral?

Isso que só penso na pedra e só penso no Brasil. Não me permiti, em momento algum, a grandezas universais. É possível que consigamos pensar no quão ridículo é nosso viver por sobre a terra? Se compararmos a nossa vida a esta existência universal, o que somos?

É normal que dentro deste pensamento louco queiramos valorizar nossas ações e nossos poderes de fazer o mundo melhor, deixar nossa marca no tempo, nossa vida registrada na mente de milhões de pessoas. Por exemplo, Gothe, se sua obra sobreviver por mais mil anos, quantos o terão lido, quantos conhecerão ele, por quanto tempo perdurará a extenção de sua vida que é sua obra? Alguns segundos de uma vida humana se colocarmos este grande autor diante da magnitude que é uma existência universal?

Não quero ser chamado de pessimista, mas também não quero que me digam que nossa vida é grandiosa, que Deus nos deu isso ou aquilo. Sinceramente, somos uma aberração. O acaso que deu certo, a espécie que dominou, que se superou, que evolui um bucadinho mais para que a destruição das outras fosse possível. É isso que somos, um acaso. E Deus? Como é possível crer nele quando ele, se existe, está tão distante e é tão absurdamente maior que nós? Ah, sim, mesmo com a distâcia ele está próximo, bastante próximo. Por favor… minha pequenez não permite a compreensão de algo como Deus, e como não me dou a atos de fé, prefiro crer no acaso, nos dados mágicos que tiraram Einstein dos eixos… prefiro deixar esta criação humana chamada Deus com os tolos à moda antiga, pois eu prefiro ser um tolo contemporâneo: crer no acaso.

Revolução Brasileira

Janeiro 2, 2007 por Capedonte

Em um país onde todos os valores comemorados e praticados são baixos e vís em um mundo que é tão adimirado e distante de seu próprio povo (o mundo desenvolvido de Europa e América do Norte), não é necessário que aí surjam revolucionários destruidores da ordem estabelecida para impor novas formas de governar e viver. Não, nessas nossas terras brazis, o que é mais necessário, dentre tudo, é do revolucionário que mudará os valores do povo: que construirá; moralizará; julgará corretamente, em tempo hábil e punirá; não deixará as coisas para a última hora; não se usará de jeitinhos nem amigos com cargos públicos; não se esquecerá de pensar no futuro, nem de olhar o passado! Ah! Esse sim, seria dentre todos os brasileiros possíveis, o mais revolucionário! Depois que este tipo de homem nos for caro e tiver feito sua revolução, aí então, poderão nos vir aqueles outros revolucionários em busca de uma desconstrução qualquer. Mas enquanto isso, toda a forma de revolução, que não for esta simples, me parece absurda para o Brasil.

Amigos, façamos que este ano seja o início de uma revolução, senão brasileira, ao menos nossa. Sejamos brasileiros por amor a essa nossa terra, e não por esses hábitos que vêm carcomendo nosso país! Façamos uma revolução e como senhores de uma nova mentalidade brasileira comecemos, nós mesmos, a sermos os pequenos fragmentos de heróis da mudança.

Feliz e próspero 2007

Faz-te caminho

Dezembro 14, 2006 por Capedonte

Ponho a mochila nas costas. Não há um roteiro, nem rumo, nem certeza. Como disse Don Quixote “Caminante no hay camino, se hace camino al andar”. Tudo que tenho é a necessidade de esquecer de tudo, ou ver tudo de tão longe que eu possa entender alguma coisa dentre o que foi passado. Devaneio de um jovem que acha que o Andarilho de Nietzsche já existiu e que deve estar em algum lugar revesando sua caminhada entre as manhas cheias de musas e as noites escuras de uma selva chamada cidade.

Coloquei a mochila às costas e seguirei um rumo qualquer. Sei que tudo quanto planejo não acontece, tudo quanto desejo se parte, alguma coisa que faço nunca é reconhecida. As vezes acho que sou demasiadamente ambicioso, mas agora só quero um caminho pra seguir com longas horas de estradas e calos doloridos nos pés. Bastarão a mim duas ou três pessoas por dia com as quais poderei trocar algumas centenas de palavras e aprender mais alguma coisa sobre a vida, ter mais uma história humana guardada no livro de contos que vamos escrevendo ao longo da vida.

Não sei se encontrarei um final, isso me assusta muito. Talvez o alcance apenas no momento em que não tiver mais este dinheiro, que num caixa eletrônico qualquer pelo mundo, poderá me salvar de uma ou outra emergência. Ou quando meus braços não acharem trabalho. Ainda assim fico assustado: e se eu não encontrar mais o caminho de volta para casa? Será que me transformarei no andarilho que anda não por opção, mas por não ter um porto seguro?

Serei realmente livre então? Ou estarei apenas preso a uma fulga da vida que me tangia e eu preferi renegar? Não sei. Levo três camisas, um casaco para o frio, uma blusa de lã, quatro pares de meia, seis cuecas, duas calças, um caderno de anotações, dois pares de tênis, uma faca de caça, um canivete faz-tudo, alguns sonhos quebrados e uma saudade. Saudade que, mesmo eu não tendo nem saído de casa ainda, já me consome, não por ser a saudade do andarilho, mas a do amante.

Index

Dezembro 5, 2006 por Capedonte

Não, o fogo não
Pode amedrontar, jamais,
O compromisso com a verdade.

Não! O fogo não!
Contestem, refutem;
Provem aquilo que errei!

Não! O fogo não!
Ele não pode queimar
As idéias de um homem.

Ah, Não! O Index não
Ocultará a luz das chamas
Vinda das grandes mentes!

Não! Meu corpo não!
Minhas cinzas o vento levará,
Mas meu nome ficará na história.

Não! O fogo não
Melhorará o mundo
Nem elevará os homens!

Ah! As idéias… estas sim!