Vida Passional

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Não há como tentar controlar esta complexa, desconhecida e temida máquina que somos quando o assunto tocante são os sentimentos pessoais, amores, paixões (tome a palavra que mais lhe convém). Para muitos pode ser que hajam outras áreas de maior temor como a vida profissional, financeira ou social, entretanto para pessoas como eu a, muitas vezes negligenciada, vida sentimental é um verdadeiro pandemônio. Parece que não há como conciliar os quase sempre conflitantes interesses que carrego dentro de mim, principalmente dois que parecem lutar de forma incessante, me levando de um lado para outro como se eu fosse um fantoche muito mal manipulado. Ter de escolher entre a liberdade ou a companhia constante de uma paixão já me pôs em muita encrenca e continuará a fazer até que eu aceite determinadas coisas e passe a lutar contra algumas outras.

Cada um tem seus pontos fracos quando se trata do coração, mas também há aqueles que parecem verdadeiros titãs, senhores e senhoras que a tudo resistem, a todos conquistam e parecem invulneráveis. Não acredito que alguém possa ser invulnerável… também os mais fortes tem de ter seus pontos fracos, e estes quão fracos serão? Conheço alguém que, assim como eu, tem uma verdadeira despreocupação com a vida sentimental, mas ao contrário de mim, é um destes com grande força, ele sempre manteve-se firme diante de todos os desafios sentimentais e parece que dúvidas, medos, dores não eram coisas para ele. Contudo, na primeira ocasião em que lhe enfiaram uma faca pela fresta da armadura ele caiu, e como caiu. Seu tombo foi fantástico e ainda que hoje consiga se manter em pé na vida passional ele já não vive, apenas sobrevive por uma necessidade básica, pois não tem coragem de matar seu eu sentimental. Há um trecho do “Manual de Pintura e Caligrafia” de Saramago que exprime muito bem essa fortaleza que determinadas pessoas possuem: “As mulheres que tive até hoje estão mortas, e tanto mais mortas quanto mais as amei. A nenhuma delas porém amei o suficiente para que eu próprio alguma coisa morresse na morte delas”.

Generalizações ou especificações demais no que se trata da vida sentimental são meros devaneios, esforços desperdiçados, trabalho de pouca confiança, está claro que este tema é demasiado complexo e confuso para que se possa chegar a conclusões exatas. E ainda assim, mesmo que se chegue a tais conclusões, elas nunca serão decisivas na previsão do futuro de alguém ou no tratamento de uma determinada chaga, pois, ao contrário de máquinas e do mundo físico, nossa mente age de forma arbitrária e é impossível prever nossos passos futuros ou nossos estados de espírito.

O que nos cabe é uma análise pessoal sincera e bem crítica. O ponto de vista pessoal, o que você sente ou acredita a respeito do fato é que será sempre o fator determinante para uma decisão, para a escolha entre a aflição ou a paz, entre a briga ou a concórdia. Com toda a certeza, o conselho de alguém que o conhece bem e esteja a par de certos acontecimentos será altamente valioso, uma nova perspectiva e visão crítica diante de um assunto sempre nos põe mais variáveis a serem consideradas ou nos faz considerar umas mais importantes que as outras. Não devemos basear nossas ações nos conselhos, o fiel da balança é nossa mente, sempre.

Eu (agora, venho aqui a fazer-me de cobaia para que este texto tenha algum sentido, além do que, preciso fazer meu desabafo nestas linhas), por exemplo, sou um dos mais atrapalhados com estas coisas de sentimentos. Vivo me dando mal, apesar de ter passado mais de um ano muito bem em um relacionamento muito legal, sempre tive dificuldades de por todas as variáveis na mesa e dar a devida importância àquilo que deveria. Isso me custou muito, como ter de terminar um namoro por necessidade de liberdade e depois de algumas semanas livre me ver saudoso por aquilo que já não era mais meu. Não digo que não pudesse hoje, agora, voltar atrás e tentar novamente o namoro, mas é que a liberdade fala mais alto que a saudade. Se fosse possível ter um relacionamento com a antiga namorada sem que os grilhões do compromisso me tangessem novamente, sem titubeios, eu voltaria ao estado de namorado. Mas nem sempre temos a oportunidade de remendar o erro e creio que este seja meu caso hoje, é bem possível que sim, seja possível trazer as coisas boas devolta, entretanto há um orgulho que fala mais alto de ambos os lados, um medo da recusa, de se por atrás da nova oportunidade. É incrível como o fim de um relacionamento põe as pessoas tão distantes umas das outras, antes inseparáveis, para depois nem terem um mínimo contato (se esse não é o seu caso, esse é o meu, desde que meu primeiro relacionamento sério aconteceu). Quem sabe uma nova sorte me aguarde, que sorte poderia ser? Não faço a mínima idéia, vou apenas viver essa minha vida passional mas sempre certo de que a vida não é tão bondosa com a gente quanto desejamos. Além do que, no que se trata da vida passional ou ela é a síntese da crueldade ou a contagiante alegria de viver em sua mais pura essência.

(Este texto tinha o objetivo de ser um ensaio, mas vejo que muitos ensaios me aguardam antes que eu possa ensair de forma descente.)

Uma resposta to “Vida Passional”

  1. Mila Says:

    OiIiIi
    Tava aqui vendo uns blogs e achei o seu..
    adorei o texto..
    Bem legal..
    Bjinhos minino!!
    =******–>

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