Vai-te

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Tenha piedade de mim
Sou apenas mais um homem
Que foi derrubado pelos dias
E caiu numa amarga vida.
De rotina, de agonia.

Não quero que você se vá,
Mas não fique aqui comigo
Falando de coisas que temo.
Um futuro melhor, riqueza,
Aventuras, mulheres, Sol.

Dói lembrar de tudo que quis
Mas nunca chegou a ser.
Não alvejo novas realizações,
Quero apenas uma cama e um dia.
Um dia em que o mundo se calará.

Meus ouvidos temem palavras
Que aos outros são tão queridas.
Beleza, sucesso, felicidade
Parecem coisas perdidas, longe,
Bem longe, de tudo que foi e será.

Cala-te, e vai embora sem demora.
O que quis antes, não quero agora.
Que te cales e vai viver, vá embora
Porque hoje só espero minha hora;
Meu destino foi traçado: subviver.

(Ler o Maus de Art Spiegelman está mechendo bastante comigo. Esse é um poema de quatro que até agora esse livro me fez despejar no papel. Estou fascinado com o trabalho em quadrinhos, com o incrível Vladek. Vai que este tema ainda me põe um “Holocausto Infinito” a frente.)

Uma resposta to “Vai-te”

  1. mila Says:

    Ótimo..
    Bjinhos minino!!
    =**

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