Calouro!

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Primeiro dia de aula. Entro na sala. Nada de anormal, a anormalidade esperada está lá. Cabeças coloridas, gente quase vestida de terno, senhores e senhoras tão ou mais velhos que meu pai, garotos que ainda são sustentados pelos pais, garotas recatadas e, é claro, rapazes de piercing, botas cano-longo e jaqueta de couro.

Sento na cadeira, espero. Observo os que estão a minha frente e me questiono. Quem desses tem, realmente, talento para a coisa? Quais de nós, aqui presentes, farão a diferença como profissionais? Quem conseguirá sobreviver do que gosta? Quem terá o diploma daqui a quatro anos e quem desistirá no início da segunda fase? Impossível prever, coisas que só as aulas contarão.

Entra o professor. Dá boas vindas aos calouros, entrega o plano de ensino, bibliografias e inicia nossa primeira aula. Seus gesto são fortes, tanto que cada gesticulação torna as palavras mais substanciais, deixa o olho atento – inapto para dormir. Quinze anos de experiência mostram que o melhor técnico, ao dar aulas, deve ser um menestrel, ator, cantor. Deve chamar a atenção, com relação a mim, sucesso; não consigo desviar o olhar de suas mãos nem o ouvido das palavras. Talvez esta curiosidade seja apenas o entusiasmo do primeiro dia.

A aula se desenovlve, os primeiros questionamentos tímidos, alguns esboços de discussão, uma ou duas contribuições para a aula. Eu prefiro permanecer em silêncio, exitem quatro longos anos pela frente para que minhas palavras se façam presentes. Já é possível perceber, ao menos, os mais falantes. Sinto o sangue pulsar na veia como há algum tempo não acontecia. Anseio, desde já, pelos desafios que essa graduação poderá me trazer. Desafios com os quais venho me defrontando ao longo dos meus últimos seis anos de vida, desde que descobri essa matéria que, de tanto que me atrai, coloca-me agora nesta sala de aula.

Amanhã terei a segunda aula. Filosofia, finalmente me encontro estudando Filosofia. Contudo, no exato momento em que me encontro na sala de aula já vislumbro ao longe o segundo desafio a ser superado: fazer Filosofia. O tempo dirá se dentre aqueles que desistirão no segundo semestre, não estarei eu lá. Ele também revelará se o diploma me tornará filosofo ou a vida é que assim vai me fazer. Mas eu digo, seja qual for meu caminho, minha mente espreita algumas verdades. Senão as universais, ao menos as minhas.

3 Respostas to “Calouro!”

  1. V.B. Says:

    Se encontrar suas verdades, não precisará de mais nenhuma. Mas… tente não procurar por elas. Talvez sejam tímidas. Na verdade, acho que as verdades têm um certo gosto pelo teatro e adoram fazer entradas triunfais.

  2. Leo Lima Says:

    Afortunados aqueles que em tempos de possuir, preferem SER!

  3. Camila Says:

    aInda lembro do meu primeiro dia de aula na faculdade e da alegria de estar ali, fazendo o que gosta. Boa sorte!
    =*

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