Grandezas

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Sento aqui sobre um pedaço de pedra que deve estar parada, neste mesmo lugar, por centenas de milhares de anos. Perto dela o que é minha vida? Não uma mera fagulha diante da imensidão do tempo? Não mero devaneio de vivência perto da sua longetividade? Não simples acaso que vai e passa? Mais uma vida que ela irá observar?

Pego-me pensando em quanta gente vive em minha cidade. Uns trezentos mil habitantes. Quantos conheço? Mil, sendo bem otimista? Quantos deles já vi? Um ou dois terços? Então minha imaginação deixa o espaço geográfico se expandir. Diante dos mais de cento e sessenta milhões de brasileiros, o que sou eu? Mais um mero dado estatísco? Existo só pra cinqüenta pessoas que vivem estreitamente comigo? Sou um RG, um número dentro dos muitos possíveis nas sete casas numéricas de meu registro geral?

Isso que só penso na pedra e só penso no Brasil. Não me permiti, em momento algum, a grandezas universais. É possível que consigamos pensar no quão ridículo é nosso viver por sobre a terra? Se compararmos a nossa vida a esta existência universal, o que somos?

É normal que dentro deste pensamento louco queiramos valorizar nossas ações e nossos poderes de fazer o mundo melhor, deixar nossa marca no tempo, nossa vida registrada na mente de milhões de pessoas. Por exemplo, Gothe, se sua obra sobreviver por mais mil anos, quantos o terão lido, quantos conhecerão ele, por quanto tempo perdurará a extenção de sua vida que é sua obra? Alguns segundos de uma vida humana se colocarmos este grande autor diante da magnitude que é uma existência universal?

Não quero ser chamado de pessimista, mas também não quero que me digam que nossa vida é grandiosa, que Deus nos deu isso ou aquilo. Sinceramente, somos uma aberração. O acaso que deu certo, a espécie que dominou, que se superou, que evolui um bucadinho mais para que a destruição das outras fosse possível. É isso que somos, um acaso. E Deus? Como é possível crer nele quando ele, se existe, está tão distante e é tão absurdamente maior que nós? Ah, sim, mesmo com a distâcia ele está próximo, bastante próximo. Por favor… minha pequenez não permite a compreensão de algo como Deus, e como não me dou a atos de fé, prefiro crer no acaso, nos dados mágicos que tiraram Einstein dos eixos… prefiro deixar esta criação humana chamada Deus com os tolos à moda antiga, pois eu prefiro ser um tolo contemporâneo: crer no acaso.

Uma resposta to “Grandezas”

  1. Allan Says:

    Por acaso lembrei de voltar para desejar: Boa viagem. E seja bem-vindo.

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