Saramago

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Aos dezoito anos de idade me deparei com algo que iria me mudar de algumas formas. Numa segunda-feira, ao chegar do cursinho pré-vestibular, lá pelas onze horas da noite, zapeando pelos canais da TV aberta, me encontrei diante de um discurso que me fascinou. No centro da “Roda Viva”, na Cultura, estava um tal, até então desconhecido para mim, José Saramago. No dia seguinte eu começava a ler A Caverna e a me apaixonar pela obra de um dos mais prestigiados escritores da atualidade.

O que me faz parar diante de um livro deste velho senhor, já na casa dos oitenta, é a capacidade que ele tem de pôr os problemas e a vida nas palavras e fazer isso sem pudores, como todos nós deveríamos. Não se encontra ali a ingenuidade de alguém que crê num mundo que vai melhorando dia a dia, mas a firmeza do olhar que vê o homem e com isso se encanta e se desespera.

Dele, meu livro predileto é o Manual de Pintura e Caligrafia, mas este é um gosto muito pessoal para que eu possa recomendá-lo a alguém. Ficam outros mais encantadores e interessantes. Gosto muito, mas muito, de O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Se eu me tornasse, verdadeiramente, um cristão, seria ao personagem deste romance que eu me voltaria em orações. Um outro, que fez deste português famoso em todo o mundo, é o Ensaio Sobre a Cegueira, que em breve deve virar um belo filme nas mãos do competente Fernando Meirelles.

Decidi escrever este texto enquanto lia a “palestra” de Saramago na ocasião do recebimento de seu Prêmio Nobel. A mim bastou o primeiro parágrafo, que como em todos os livros deste autor são bastante longos, para que eu começasse a escrever esta “divulgação”, se é que ele ainda precisa disso. Neste parágrafo ele relata um pouco a importância de seus avós, assim revela um pouco de sua história pessoal, tão interessante e intensa quanto seus romances. É claro, devo aqui recomendar a leitura deste texto, assim como a do blog de Fernando Meirelles na produção do Blindness, além de alguns vídeos.

Sugiro o primeiro parágrafo da Leitura no recebimento do Nobel.

Dois trechos da participação de Saramago no documentário Janela da Alma, aqui os links para a primeira e a segunda parte.

O blog de Fernando Meirelles chamado Blindness – Ensaio sobre a Cegueira.

Além de uma reportagem concedida por Saramago ao Jornal da Globo, também no youtube: primeira parte e segunda parte.

A última contribuição, tosca, é uma seleção de trechos do Manual de Pintura e Caligrafia que eu fiz algum tempo atrás.

Aproveitem.

2 Respostas to “Saramago”

  1. Mauro Castro Says:

    Dos autores lusos prefiro António Lobo Antunes, que, só agora, começa a ser publicado no Brasil. Perguntado por que não publicava no Brasil, Lobo Antunes disse que havia combinado deixar nosso pais para o Saramago, enquanto ficava com o resto do mundo.
    Há braços!!

  2. Camila Says:

    Li “ensaio sobre a cegueira” ano passado. O livro praticamente me hipinotizou. Não conseguia parar de ler. Muito bom. Já tinha vontade de ler outros livros dele, agora sabendo que os outros são tão bons quanto, vou atras do meu proximo Saramago.
    Beijos.

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