A Mulher

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(Situação com relação ao suposto plágio está esclarecida abaixo, nos comentários. De acordo com João Batista do Lago não se tratou de nada mais do que um erro de comunicação entre ele e o editor do site MHARIO LINCOLN DO BRASIL )

 

Texto feito para o Clube de Literaturas do
O Biscoito Fino e a Massa sobre Borges.

Ele estava sentado no banco, não fazia como outros que por ali paravam carregando consigo sempre um jornal. Estava ali com um volume de uma enciclopédia ganha há algumas semanas. Seus olhos percorriam loucamente os verbetes, procuravam relações desconexas, iam da física à lógica, desta para a matemática, do cálculo para a metafísica, da metafísica para a semiótica, da semiótica para a filosofia e da filosofia o olhar se dirigia às crianças que brincavam alguns metros à sua frente. O som das brincadeiras lhe agradava, parecia contrastar com o rigor e a seriedade daquela literatura que o atraia, e assim, de algum modo rigor e distração se equilibravam em sua mente.

No último mês permanecia por horas ali naquele banco, nada de especial. Talvez fosse apenas a algazarra infantil que o atraísse. Mas na verdade, este era um dos poucos locais no qual conseguia se concentrar sobre sua leitura. Se retornava à casa, lhe vinham as lembranças, os medos e as dores, então seu olhar sempre abandonava as páginas para se encontrar com um vazio que consumia seus pensamentos e o mundo a sua volta, um infinito vazio. Ele com suas centenas de verbetes lidos, filósofos compreendidos, livros escritos, viagens realizadas, não podia desvendar certos mistérios. Sentia-se com o controle daquilo que era o pensamento, as letras, as enciclopédias e a língua com a qual sangrava seus novos contos. Mas as mulheres, isso ele não podia compreender – seu casamento era a prova cabal. Havia uma muralha entre ele e elas. Mais do que isso, havia uma fortificação em torno da mulher – isto o angustiava.

Todos em algum momento da vida tendem a cometer certos atos dos quais se envergonharão, muitas vezes se deverá fazer tantas outras coisas, das quais também poderemos vir a nos envergonhar, para esconder esses pedaços de nosso passado. Ele não havia grandes segredos e os pequenos, uma hora ou outra, eram sempre revelados àqueles que lhe eram íntimos. Porém, as mulheres em seu ar de castidade, de apego à família, de amor incondicional escondiam qualquer coisa. Sob a força e a delicadeza estava uma astúcia, uma inteligência e um silêncio, que se não fosse por esta beleza feminina, manteria nós, homens, bastante distantes delas. A mulher que pacata aceitava as ordens do marido, as imposições do pai, aprendeu a lidar com o poder de forma sutil, se ela não podia argumentar no momento público, sugeria no silêncio do quarto; para impor-se, seduzia; quando era preciso controlar, manipulava, jogava com as situações; se segredos eram perigosos, dissimulava, iludia e mentia; enquanto um homem utilizava-se do corpo para oferecer dor e assim atingir seus fins, à mulher cabia usar o corpo diante à volúpia sem fim do sexo masculino. As mulheres o atraiam, mas os segredos escondidos atrás de um olhar feminino lhe angustiavam, as armadilhas de uma mulher lhe deixavam com medo.

A mulher é a Esfinge, pensava ele. Se havia um problema sobre a verdade que ele não conseguia lidar, era com este. Diante de uma mulher ele era apenas uma criança, não haviam enciclopédias ou gramáticas, geometrias, algebras ou cálculos, todas as referências bibliográficas foram riscadas até que as páginas transformaram-se em borrões.

As crianças haviam parado de brincar, uma a uma retornaram para suas casas. De mão dadas iam senhoras de sociedade, belas, dignas, religiosas e devotadas aos seus filhos e maridos. Ele as olhava e tentava compreender até que ponto poderiam chegar para manter a união familiar, a felicidade dos filhos ou a ignorância de um marido. Tentava compreender se suas mentes poderiam ser tão frias quanto algumas vezes viu sua mãe ser, queria saber quanto tempo elas conseguiam resistir sem revelar um segredo ou se os atos ficavam apagados no passado, até mesmo nos seus, para que não houvessem possibilidades de revelações.

Pensava tudo aquilo e estava inquieto. Decidiu que era hora de voltar para casa, já que tendo as crianças partido com suas brincadeiras, ficar aqui ou retornar àquele infinito vazio que vinha lhe tomando constantemente, seria o mesmo. Ao retornar à sua biblioteca para guardar a enciclopédia sentiu-se um pouco mal e sentou-se na escrivaninha. A mulher é o maior enigma do homem – ela é a verdade em si e a ausência de verdade para o homem. Não é a toa que verdade é um substântivo feminino. Um nome lhe veio à cabeça. Pegou um maço de folhas de papel e escreveu o nome da esfinge – Emma Zunz.

9 Respostas to “A Mulher”

  1. Idelber Says:

    Oi, Capedonte, dentro das “muralhas” da academia eu não sei, mas como apreciador de literatura eu daria um 10 com louvor para o conto. Super verossímil, bem borgeano. Adorei mesmo. Obrigado por participar. Abração,

  2. arimateia alves Says:

    Meu caro Capedonte, abri o link, direto do Biscoito fino e a massa, do conto “Emma Zunz”, do Borges e o colei no meu Blog com o seguinte título: “Borges, lá do Biscoito”. Depois abri um comentário, no mesmo Biscoito, perguntando ao professor Idelber se era lícito fazê-lo. Não recebi a resposta do Biscoito, mas li um comentário seu, lá no Idelber, dizendo que eu havia cometido plágio, mesmo que subentendido. Eu não acho que o fiz, mas caso o professor peça que eu o retire do meu blog, o farei de pronto. Um abraço.
    PS> Seu ” A mulher” é competência pura.

  3. João Batista do Lago Says:

    Caríssimo.

    Somente há pouco entrei no porftal do Mhário Lincoln do Brasil e vi o erro que foi cometido. Em verdade devo admitir que parte do erro é meu… parte da culpa é minha, pois, enviei para o Mhário o seu texto como sugestão para ele publicar pois eu gostei demasiadamente do mesmo. Contudo, para meu espanto, o Mhário publicou como se o texto fosse meu. Estou entrando em contado com ele e solicitando para que ele refaça o erro.

    Espero que me compreendas e peço, publicamente desculpas por esse engano.

    Afetuosamente

    João Batista do Lago

  4. João Batista do Lago Says:

    Olá, Capedonte.

    Para seu conhecimento acabo de enviar e-mail para o portal Mhario Lincoln do Brasil com o seguinte texto:

    “Caríssimo Mário.

    Somente há pouco vi a postagem do texto que o enviei como sugestão para publicação. Tomei um susto pois ele foi postado como se fosse de minha autoria. Não. O texto não é de minha autoria. Portanto, gostaria que você retirasse o mesmo e/ou postasse dando o crédito ao seu autor de fato.

    Atenciosamente
    João Batista do Lago”

    = = = = = = = = = =

    Mais uma vez peço-vos desculpas pelo tremendo erro cometido, mas acredito que logo mais tudo será colocado no seu devido lugar.

    Um abraço fraterno.
    João Batista do Lago

  5. João Batista do Lago Says:

    Capedonte.

    Também enviei este e-mail:

    “Mhário, por favor desfaça este erro (sei que foi involuntário) com a maior urgência possível.

    João Batista do Lago

    = = = = = = = = = =

    A Mulher
    ATENÇÃO: este texto foi parcialmente copiado no site http://www.mhariolincoln.jor.br/ e referenciado indevidamente como de autoria de João Batista do Lago. Este blog, pertence a Gustavo Guilherme BacK que sob o pseudônimo de Capedonte publica seus textos aqui há mais de dois anos. Pode-se verificar que este texto é somente de minha autoria através do site de Ideber Avelar, O biscoto fino e a massa, já que fiz um comentário no post Emma Zunz, de Borges no dia 05.10.2007, mesma data de sua publicação aqui, enquanto que no portal Mhário Lincoln foi publicado apenas no dia de hoje, 07.10.2007.”

    Meu caro, mais uma vez peço desculpas pelo erro cometido.

    João Batista do Lago

  6. João Batista do Lago Says:

    Também mandei o seguinte e-mail, meu caro:

    “Mário, desculpe o incômodo que causei. Mas volto a insistir para que retire o post sobre o texto “A Mulher”, pois não é de minha autoria. Gostaria que você desse o crédito para o autor de fato. Ei-lo:

    http://www.tulane.edu/~avelar/Avelar_CV_LAS.htm

    Além do que, Mário, peço-te que entre em contato com o mesmo e explique toda essa confusão.

    Eu já deixei comentário na página dele pedindo desculpas, mas seria interessante que você também o fizesse.

    Um Abraço
    João Batista do Lago”

  7. João Batista do Lago Says:

    Meu caro Capedonte.

    Solicito que visites o Portal Mhario Lincoln do Brasil, onde fiz constar a seguinte declaração:

    “DECLARAÇÃO PÚBLICA PARA
    RESTABELECIMENTO DA VERDADE

    1. Eu, JOÃO BATISTA DO LAGO, venho por meio deste instrumento particular, DECLARAR publicamente que o texto intitulado A MULHER, publicado no Portal Mhario Lincoln do Brasil, NÃO É DE MINHA AUTORIA;
    2. O autor, de fato e de direito, do texto A MULHER, que originariamente foi publicado no site O BISCOITO FINO E A MASSA, é o senhor GUSTAVO GUILHERME BACK, que, sob o pseudônimo de CAPEDONTE, publica os seus textos;
    3. Declaro que encaminhei o texto para o PORTAL MHARIO LINCOLN DO BRASIL, pura e tão-somente, como uma sugestão para publicação;
    4. Por fim, peço publicamente, e para restabelecer toda a verdade, desculpas pelo transtorno, sem antes deixar de declarar, também, que não houve, da minha parte, bem assim da parte do Portal Mhario Lincoln do Brasil, nenhuma intenção “subterrânea” pois sei e dou provas do excelente caráter e lisura do seu editor, jornalista e advogado Mário Lincoln Félix.

    Curitiba – Paraná – Brasil
    08 de outubro de 2007

    João Batista do Lago”

    = = = = = = = = = =

    Mais uma vez peço desculpa pelo transtorno.

    Um fraterno abraço.

  8. Rebecca Says:

    Demais.

    Bom dia

    Cpts

  9. Selena Georgis Says:

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